10 Filmes para assistir sempre

Como uma boa cinéfila, adoro assistir a filmes mais de uma (duas, três, quatro, cinco, dez) vez. Reuní aqui alguns pelos quais tenho verdadeiro xodó.
Que tal você propor uma lista com seus “Top 10 movies” para eu comentar? Se eu não tiver assistido a todos, prometo fazê-lo para poder dar minha opinião!

  1. Gigantes de Aço – toda vez que está passando este filme, seja onde for, eu assisto. E toda vez me emociono e torço pelo robô e pelo menino. É um filme cativante e com uma bela mensagem de amor e amizade. Hugh Jackman, como sempre, está ótimo, mas o que chama a atenção é a química entre o ator mirim Dakota Goyo e o robô. Não importa quanto tempo se passar, vou sempre amar esse filme.
  2. Sem Reservas – Catherine Zeta-Jones e Aaron Eckhart formam um dos “casais de filme” de que mais gosto. Além disso, tem a (sempre, sempre) maravilhosa Abigail Breslin, que emociona no papel de uma órfã deixada aos cuidados da tia workaholic. Existe uma ligação muito forte entre os três atores, que torna o filme irresistível e apaixonante. Já assisti mais de 10 vezes e não me canso. O final é um dos meus prediletos.
  3. Chef – Jon Favreau é um gênio (na minha opinião e na de meu marido). Este é o “nosso” filme. Temos adoração pelas comidas que ele prepara, pelas cenas na estrada e pela relação que ele desenvolve com o filho, interpretado muito bem por Emjay Anthony. Ainda iremos para New Orleans provar os
    beignets e para Cuba, experimentar tudo o que há de bom por lá. E, por fim, sempre ficamos com água na boca com aquele queijo quente apetitoso que ele prepara tão “casualmente” para o filho numa manhã qualquer…
  4. Uma Linda Mulher – já disse que esse é um dos meus “Top 5 movies”? O filme é de 1990 e, por isso, já é um “novo” clássico. Mora no meu coração. Sim, sou romântica, e amo a química incontestável entre Julia Roberts e Richard Gere (a qual NÃO se repete em “Noiva em Fuga”, que sequer chega aos pés de “Uma Linda Mulher”). Sempre que me dá na telha, assisto. De preferência, com pipoca e vinho.
  5. À Procura da Felicidade – depois que assisti a este filme, nunca mais pensei que fosse me recuperar emocionalmente. Um dos filmes mais marcantes que já vi e que mexe muito comigo. Will Smith se entrega de corpo e alma ao papel, juntamente com Jaden Smith, seu filho também na vida real. Chorei horrores e me encantei com a história de Chris Gardner. Já assisti pelo menos umas 5 vezes.
  6. O Diabo Veste Prada – como não amar esse filme? Já decorei os diálogos, as cenas, as roupas, as músicas… Anne Hathaway está perfeita. Meryl Streep, divina. E Emily Blunt, maravilhosa. Tudo no filme é bom. Tão bom que acho que vou assistir de novo um dia desses…
  7. Simplesmente Amor – sabe aquele filme que reúne seus atores prediletos? Pois então! Ele existe! Hugh Grant, Emma Thompson, Liam Neeson, Alan Rickman (in memoriam), Keira Knightley, Colin Firth e, de quebra, Rodrigo Santoro. As histórias são ótimas, algumas engraçadas, outras um tanto tristes… O filme é quase mágico. Perdi a conta de quantas vezes assisti. Recomendo assistir sempre, especialmente naqueles dias em que precisar de um “cheer up”. A trilha sonora é perfeita.
  8. Orgulho e Preconceito – MARAVILHOSO! Elizabeth & Mr. Darcy, interpretados por Keira Knightley e Mathew MacFadyen, que fazem do filme algo inesquecível e obrigatório para quem gosta de Jane Austen (e para quem nunca leu, também… rsrs). Choro, rio, vibro… Absolutamente perfeito.
  9. 500 Dias com Ela – não sei do que mais gosto neste filme – os atores, a narrativa ou a trilha sonora. Coloque tudo no liquidificador e prepare-se para um filme surpreendentemente inteligente, engraçado e sensível. Também é um que já sei de cor e mora no meu coração.
  10. Entre Nós – um drama nacional (para variar um pouco), que surgiu de uma dessas “buscas” aleatórias no streaming por volta de 2015, e que me surpreendeu de tal forma que já vi pelo menos 3 vezes. A trama é um pouco pesada (esteja preparado), muito bem conduzida pelo ótimo elenco. Eu não sabia que o Paulo Vilhena poderia ser tão bom. Sou fã de carteirinha da Maria Ribeiro. Gosto do Caio Blat faz tempo. Mesmo Carolina Dieckmann, que só via fazendo novelas da Globo, manda muito bem. Os atores Júlio Andrade e Martha Nowill foram uma grata surpresa. Se você ainda não assistiu, recomendo!

Quando junto Jojo Moyes e Ruth Manus

Terminei recentemente de ler “A Casa das Marés”, de Jojo Moyes. Devo admitir que adoro os livros dela… E este não decepciona. A história é linda, ambientada em uma casa deliciosa e com personagens marcantes. Quase senti o cheiro do mar da cidade costeira onde se passa a trama. Gosto muito de romances que contam histórias do passado e do presente, com um toque de nostalgia entre si. Sim, tenho um lado romântico incorrigível e encontro refúgio nas histórias de Jojo. Transporto-me para onde ela quer me levar e quando o livro termina sou dessas que lamenta e não quer largar… Recomendo para quem busca uma boa desculpa para se emocionar, para os românticos de plantão e para quem gosta de uma boa história de amor, seja amor entre pessoas, amor próprio, amor pela vida…

Não faz muito tempo que comecei a ler alguns textos da Ruth Manus. Achei interessante, até que assisti a sua palestra sobre mulheres no teatro Opus em 2018. Gostei de seu estilo inteligente e ao mesmo tempo despojado. Esses dias terminei de ler seu livro, o qual é um conjunto das crônicas que escreveu para alguns jornais, como o Estadão (para o qual não escreve mais). Foi uma experiência bem interessante. Senti como se estivesse conversando com uma amiga, pois há muitas semelhanças e até afinidades. É um livro para se ler enquanto se toma uma café, um chá, uma taça de vinho… Tem histórias ótimas e engraçadas, outras emocionantes e reflexivas. Tem alguns textos de que não gostei tanto – quando ela dá espaço para uma certa futilidade ou abraça alguns estereótipos que vão contra os princípios que ela mesma prega (isso acontece em um ou outro, mas não posso deixar de falar). Porém, o saldo geral é positivo. Ruth sabe escrever, tem bagagem cultural, humor e sagacidade. Toca em algumas feridas, levanta algumas reflexões relevantes e, ao mesmo tempo, fala de sua vida pessoal, família, viagens e trabalho. Não tem vergonha de ser bem sucedida e nos convida a fazer o mesmo. Também abraça suas imperfeições e manias e nos diverte com os bons e velhos perrengues e, ao final, celebra o amor. Continuarei acompanhando sua carreira literária e seu perfil no Instagram. Vale a pena!

Filme: O Espelho Tem Duas Faces – uma reflexão

Ela acredita que não é bonita como a irmã, é subjugada pela mãe e, por isso, se anula, se esconde. Ah, mas essa narrativa do filme parece muito óbvia… Do que ela se esconde? Do que nós nos escondemos? Por que usamos roupas que nos tornam ainda maiores, ou mais apagadas? Por que temos que odiar nossa aparência para então nos tornar algo “melhor”? Por que aceitamos toda essa raiva do mundo com relação à nossa aparência? Por que não sabemos o que é ser bonita? Por que bonito não é o que vemos diante do espelho?

E então a personagem de Barbra Streisand se transforma… mas continua sendo ela mesma na essência. E daí que ela quis perder peso? E se quisesse continuar gordinha? E daí que ela quis pintar o cabelo? A amiga dela acha ruim por ela não continuar a ser “feia”, mas depois entende que isso é uma escolha. E somos livres para escolhermos. Somos mesmo? Deveríamos, pelo menos. Uma coisa é se abraçar, se aceitar, se cuidar. Outra é ser vítima da indústria da beleza, sofrer por não atender a padrões inventados, se agredir para agradar a todos menos a si mesma. Até onde sabemos o limite? Ser inteligente é ser feia? Ser bonita é ser burra? Por que opomos uma coisa à outra? Ou, pior ainda, por que essa dualidade? Bonita/feia x burra/inteligente. Quem cuida de si, quem não cuida, quem tem vaidade, quem não tem… Isso por si só não define uma mulher. Volto, assim, ao título do filme: O Espelho Tem Duas Faces. Tudo nosso tem 2 faces. Lamento se você acreditou que não. Uma face? Não… O que é bonito, é feio. O que é certo, é errado. O que machuca, fortalece… e o que constrói, destrói…

Obrigada, Barbra, por esse filme maravilhoso, com um final maravilhoso, música perfeita e que me faz refletir sobre a minha relação comigo mesma.

Não assistiu ainda? Recomendo fortemente! Disponível no Netflix!

Dicas para o feriado!

Feriado de Páscoa chegando… Para quem quer descansar um pouco da correria do dia-a-dia, e se largar no sofá, tenho algumas dicas! Espero que gostem!

Operação Fronteira – estava ansiosa por este filme, pois gosto muito do Ben Affleck. O filme é bom, com momentos de tensão muito bem construídos, um elenco afinado e uma mensagem final bem interessante. Para mim, ficou a pergunta: “até onde estamos dispostos a ir? o quanto nos deixamos levar por aquilo que achamos que somos versus aquilo que fomos treinados para sermos?”. Vale a pena conferir! Depois, diga o que achou! O filme é bem recente e está no Netflix!

Virando a Página – delicia de filme “pescado” no Netflix! O filme é de 2014, estrelado por Hugh Grant (muito à vontade em sua personagem “décadence avéc élegance”) e Marisa Tomei (sempre ótima). É para uma tarde preguiçosa, com muita pipoca! Despretensioso e leve.

Que tal maratonar uma série? “How to Get Away with Murder” – está na 4ª Temporada no Netflix -cheia de reviravoltas, ardis, emboscadas e cenas de tribunais, além, claro, da maravilhosa Viola Davis. Ideal para quem está programando ficar no esquema sofá+netflix+pipoca+preguiça…

Quer filmes um pouco mais antigos que nunca saem de moda, seja para assistir novamente ou pela primeira vez? Esses dias assisti novamente “O Sorriso de Monalisa”, com as maravilhosas: Julia Roberts, Kirsten Dunst, Julia Stiles, Maggie Gyllenhaal, Marcia Gay Harden… O filme é de 2003, com um tema super atual e relevante. Nunca é tarde para assistir pela primeira vez e nunca é demais rever!

Uma outra dica é “À Espera de um Milagre”, com ninguém menos do que um de meus atores preferidos: Tom Hanks. O filme é de 2000 (nossa, já se passaram 19 anos!), mas nunca me canso dele. Tenho em DVD e amo de paixão. É uma história linda, emocionante, com um elenco maravilhoso. Ainda não assistiu? Não perca tempo! Já assistiu? Vale sempre a pena rever, não é? Às vezes eu gosto de assistir a uma reprise desse naipe acompanhada de um bom vinho… Feriadão… Por que não?

Bom Feriado!!! Deixem seus comentários!

Resenha: “Laços de Família”, Clarice Lispector

São treze contos no total. O tema é o cotidiano, uma foto de um instante, que contém toda a agonia da mediocridade do ser humano. Fazia algum tempo que eu não lia contos. Engana-se quem pensa que ler contos é mais “fácil” do que ler um romance. Para mim, quanto mais curto o conto, mais se deve prestar atenção. Pois, quando ele acaba, e é naquele “de repente”, você fica só. Olhando para o nada… Pelo menos é assim quando leio Clarice Lispector.

Os que eu mais gostei foram: “A imitação da rosa”, “Feliz aniversário”, “Preciosidade”, “Os laços de família”, “O crime do professor de matemática” e, por fim, “O búfalo”.

Cada um carrega em si uma história aparentemente simples, mundana. Porém, ali no meio temos: transtornos psicológicos, hipocrisia familiar, abuso, aprisionamento, falta de comunicação, sacrifícios e tristeza. “A imitação da rosa” chega a ser sufocante. “O crime do professor de matemática” é triste e abre um buraco na nossa cabeça. “O búfalo” é inominável em seu redemoinho de tristeza, (perda de) amor e entrega. “Preciosidade” chega a machucar. E, por fim, “Feliz aniversário” nada mais é do que o retrato de tantas famílias que vemos por aí. E isso tudo escrito em 1960, data da primeira edição deste livro.

Gostei do trecho da Nota Prévia da edição que li (Rocco, 1998), que cita trecho de entrevista concedida por Clarice a Affonso Romano de Sant’Anna e Marina Colasanti para o MIS, em 20 de outubro de 1976:

“Affonso – Você tem os seus textos escritos na cabeça. E uma vez você me disse uma coisa impressionante: você nunca relê um texto seu.

Clarice – Não. Enjôo. Quando é publicado, é como livro morto. Não quero mais saber dele. E quando eu leio, estranho, acho ruim. Aí não leio, ora!”

Recomendo!

Desabafo durante uma tarde chuvosa

Eliana Leite

Pelo que vivo, pelas ruas em que ando e através da janela do meu quarto, vejo um mundo contrastante. Não consigo juntar as diferenças e pintar um único quadro. Vou abrir a porta para meus convidados. Espero que tirem as máscaras ao chegarem. Desejo pureza, verdade e espontaneidade. Nunca mais uma oportunidade assim surgirá. No jantar, sopa. Para beber, água. O assunto: Brasil. Resultado: lágrimas. Vou-me embora antes que nasça o sol, antes que o carteiro entregue-me o cartão-postal de Paris onde se encontram meus sonhos dourados. Quero voar, quero você, e tudo que tenho é um lençol para me cobrir durante a noite. Estou com frio. Vou acender uma vela e deixá-la queimar por toda a minha vida. Adeus, Grécia. Adeus, Roma. Sou muito mais antiga do que vocês. Sou mais nova que o mundo inteiro. Sou velha e menina ao mesmo tempo. Derrubei seu vaso, mãe. Perdi sua carteira, pai. Cresci. Renasci. E isso machuca…

(1994)

Águas Negras

A noite não quer dizer mais nada

Além da solidão que não se vai com o sol.

Essa escuridão tão longa quanto a dor

Que persiste em perturbar

E faz com que eu volte meus olhos

Para a imagem que abandonei

Como medo de que meu mundo,

Assim como o amor,

Fosse breve.

Da felicidade, pouco sei.

A palavra me amedontra,

O sentimento escapa.

Quando vejo as gostas de sangue

Vazando através dos sonhos

A aumentar a duração do medo,

Passo a me inclinar sobre as águas negras

Que resgatam meu passado e sufocam

O que virá pela frente.

Cubro meus olhos para que não haja

Precauções ou arrependimentos.

Preciso pisar em novos solos,

Ouvir novas vozes,

Sentir novos ventos, novos mares.

E livrar-me da desconfiança

Em relação ao que já existe.

Não preciso das pessoas, da humanidade.

Todas as lágrimas foram em função

De alguém, de atos.

Se minhas mãos tocarem o céu,

Meus lábios desejarem apenas vida

E o amor vier de outra direção

Eu terei me libertado

Das correntes que machucam minhas palavras

E tornam a noite cada vez mais vazia.

Eliana Leite

(1994)

Eu, por mim mesma

Aqui estou eu, sozinha

Descrevendo meus sentimentos

Deixando meu coração me guiar

E meu espírito se livrar

Deste meu corpo, tão concreto.

Pouco a pouco tudo vai desaparecer

Todos entrarão num sono profundo

Apenas eu acordarei dos meus sonhos

E colocarei meus pés neste mundo.

A brisa suave da manhã sentirei

Em minha alma penetrar

Em meu coração desenvolver

E só então poderei acordar.

No meu corpo despido, o Sol

A refletir todo seu brilho

Que fará brotarem as flores

E o meu desejo de sentir

A minha imaginação fluir.

Enfim, o dia termina

E caminho na luz do luar

Para em algum lugar dormir,

Sonhar,

E nunca mais acordar…

Eliana Leite

(1990)

Sangue

Gostaria de poder descobrir

A real cor de meu sangue

Que sangue será esse

Que corre em minhas veias

E a cada momento muda de cor,

Aumenta a dor

De meu corpo, minha alma

Cujo alimento é meu sangue

Um sangue de alguém que vive num mundo

Sem cor, sem expressão

Será que o que tenho em meu corpo

E em meu coração

É o mesmo que o Homem tem?

Aquele sangue sedento por vingança,

Louco por corpos ao chão,

Pedindo por misericórdia

Será aquele mesmo sangue

Que, ao transbordar,

Causa doenças sem cura

Se for, prefiro morrer

E nem ver

A cor de meu sangue

Pois já o vi em todo lugar

Já o vi de todas as cores.

Eliana Leite

(1990)

Violência


Photo by Ricardo Cruz on Unsplash

Famílias Despedaçadas

O coração sangra

A alma se afunda em lágrimas

80 tiros

Disparos contra uma pátria

Desalento

Desespero

Desumano

80 tiros

Crianças, viúvas

Rasgadas pelo ódio cego

Ignoradas, ignorantes de seu destino

80 tiros

Vidas que importam

E quem se importa?

Quem protege os assassinos?

Quem acolhe as vítimas?

80 tiros

Não são engano

Não são por acaso

Não são mera estatística

80 tiros

O terror nos assola

A impotência nos iguala

80 tiros

Onde vamos parar?

Eliana Leite

09/04/2019