Filme – “Malévola: A dona do mal”

Assistido em 11/11/2019 – Espaço Itaú Pompeia – Legendado.

Sempre penso que os filmes que se propõem a ser uma sequência tem um grande desafio à frente. Para mim, quando a história não foi originalmente concebida para ter uma continuação, o desafio é ainda maior. E a sensação de um certo oportunismo fica no ar. Às vezes, ela se confirma, outras, não.

No caso da sequência do filme Malévola, a continuação ficou aquém do original. Isso já era esperado, pois a grande sensação do primeiro filme (que eu não pensei que teria uma continuação) era Angelina Jolie e sua personificação da vilã mais adorada da Disney. O que esperar, portanto, de um segundo filme? Mais Angelina Jolie, claro. Só que tudo que é muito, cansa. Michelle Pfeiffer trouxe certo encanto ao filme, pois isso já lhe é natural, ainda que com uma personagem tão caricata. Já Elle Fanning foi uma grande decepção. Tudo o que ela trouxe de doçura e encantamento no primeiro filme se transformou em uma atuação bem preguiçosa e sem graça. O mesmo digo com relação ao ator Harry Dickinson, que interpreta o príncipe Philipp. Ficou um casal sem sal, insosso mesmo. Fora isso, tivemos a surpresa da existência de outros seres como Malévola, o que foi bonito, mas um tanto quanto sem sentido quando pensamos no primeiro filme. Para variar, as outras criaturas de Moors são uma graça, e encantam. A cena com as fadinhas, ao final, é fofinha.

Em resumo, o filme tem ótimos efeitos especiais, é um pouco parado, sem grande originalidade, mas com cenas bonitinhas e o brilho de Angelina Jolie a Michelle Pfeiffer para alegrar a tarde. Para fãs. Não espere muito.

Céu

Céu, como és misterioso…

Faz-me perder em tua magia

Torna-te assim tão distante

Pudera eu atingir-te

Tocar tuas mãos

Beijar tua face.

Tens tudo de atraente

E, ao mesmo tempo, de assustador.

Quando amanheces, fico aliviada

Posso te enxergar, posso te amar

Quando escureces, me assusto

Ao te perder, ao não mais te ver

Por tanta coisa que sinto

Sei que és poderoso

E não tens piedade

Pois posso eu partir

Que teu encanto não chegará ao fim.

Eliana Leite

(1990)

Livro – “Controle” (Natalia Borges Polesso)

Fui ao lançamento do livro na Livraria da Travessa ( R. dos Pinheiros, 513 – Pinheiros, São Paulo) no dia 28/09/2019, com uma grande amiga. O que me interessou foi saber que Natália Borges Polesso já havia lançado um livro de contos “Amora”, vencedor do prêmio Jabuti. (Este livro já está na lista de próximos).

Comecei a ler o livro no dia seguinte e terminei em 1 semana! O livro é muito bem escrito, com uma história que chega a ser aflitiva, e talvez o seja realmente. Retrata a vida de uma menina que convive com a epilepsia, condição que permanece com ela até a vida adulta. A forma da narrativa é interessante porque, além de ter um ritmo acelerado, mistura letras da banda New Order (banda favorita da protagonista, Nanda). Achei bastante original e me prendeu a atenção até o fim. Em algumas partes, eu cantarolava a música mentalmente.

A autora consegue fazer com que tenhamos empatia por Nanda, ao mesmo tempo que nos dá vontade de entrar no livro e dar um chacoalhão nela, coisa que os amigos Joana e Davi tentam fazer. Fiquei imaginando como deve ser horrível passar pela adolescência e juventude de uma forma quase apática e sem viver. Imaginava a mim mesma tendo que passar por isso, dentro do meu quarto, da minha casa, e me deu muita aflição.

Parabéns à autora, que produziu uma bela obra, sem rodeios, sem dourar a pílula e com um toque de originalidade. Vou aguardar os próximos livros!

Filme – “Coringa”

Nota: Excelente

Assisti ao filme no cinema no dia 10/10/2019. O filme foi lançado em 03/10/2019.

Você já assistiu a um filme que queria muito e, quando chegou a hora, foi além de todas as suas expectativas? Isso tem sido raro ultimamente. O Coringa é excepcional. Diretor e ator se entendem e entregam uma obra prima. Sempre admirei o trabalho de Joaquin Phoenix e ele conseguiu fazer o seu Joker, único, incomparável, genial.

Ao lado de Heath Ledger, uma atuação magnífica. Não espere um filme leve, muito menos de super herói.

É louco, é violento, é pura entrega.

Filme: “Toy Story 4”

Nota: Muito bom

Assisti no ITunes no dia 19/10/2019. O filme foi lançado em 20/06/2019.

O maior desafio da franquia “Toy Story” é conseguir contar mais uma história com Woody e Buzz sem cair na mesmice ou repetir fórmulas. Já foram abordados temas, como: a criança ter novos brinquedos, criarem novas aventuras com os brinquedos, a criança crescer e ter que doar os brinquedos… O que mais poderia ser inventado?

Foi então que pensaram em focar nos sentimentos de Woody como um “brinquedo velho”. Woody sempre foi o brinquedo favorito de Andy e assim reinou por muitos anos. De repente, ele se vê como um brinquedo “qualquer” e se sente inútil. Pensa que sua nova criança, Bonnie, ainda precisa dele e resolve ajudá-la em seu desafio de ir para a escola. É então que nos deparamos com Woody e sua obsessão em fazer as coisas acontecerem, resolver, mesmo que ninguém tenha dito que ele precisava ter feito tudo aquilo. Isso é bastante visível em sua relação com o novo brinquedo “Forky.”

O que é interessante nessa quarta sequência é a insinuação permanente de que Woody ficou “velho”, mas não admite. Até que a aventura se desenrola e ele se depara com várias situações que mostram que é preciso tomar uma decisão sobre seu caminho. Quantas vezes na vida não nos vemos diante deste tipo de situação? Quando não pertencemos mais àquele lugar e precisamos decidir o que fazer dali para frente? Esses dilemas doem e com Woody não é diferente.

As cenas com os brinquedos antigos são impagáveis e dão a esta sequência um charme ainda maior, mesmo que no segundo filme já tenham abordado a questão de brinquedos de coleção. Aqui, a ótica não é tanto para brinquedos que são colecionáveis, mas sim brinquedos que “pegam poeira”.

Gostei muito e, claro, me emocionei e chorei. Woody continuará sendo meu cowboy favorito por muitos anos.

Peça de teatro: “Alma Despejada”

Nota: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐

Assisti à peça no dia 24/10 no Teatro Porto Seguro.

Ir ao teatro, para mim, sempre é uma experiência incrível. Admito que vou muito menos do que gostaria. E aqui estou me referindo a peças “raiz”, não a grandes musicais ou espetáculos que se passam em teatros (que tem seu mérito, claro, mas não são o objeto desse post).

Irene Ravache reina nesse monólogo, que mistura comédia e drama, com uma leveza e sensibilidade deliciosas. Ri, me emocionei e saí do teatro com a sensação de que havia ficado mais rica, mais sábia. Uma das frases de que mais gostei foi “a amizade tem um pouco de maternidade”. Nunca tinha pensado nisso e faz tanto sentido!

Parabéns a esta grande atriz por nos proporcionar 80 minutos de pura arte.

Filme: “Summer of 84”

Assisti a este filme em 26/10/2019 na Netflix. O filme foi lançado em agosto de 2019.

O que chama a atenção neste filme é o clima de nostalgia dos anos 80. Um prato cheio para quem viveu essa época. A reconstituição foi bem executada e manteve aquele ar de despreocupação que existia à época, misturada a tabus e coisas não reveladas. As crianças ficavam na rua o dia todo, uma na casa da outra, e os pais nem se lembravam direito onde cada um estava. Inevitável remeter a “Stranger Things” ou mesmo “It”, no remake (fase 1).

Fora isso, a história até que é interessante e prende a atenção. Garante alguns sustos e se prende mais ao suspense do que ao horror até o ato final. Porém, é no fim que a coisa desanda. Poderia ter terminado de outra forma, menos apelativa. Penso que, de repente, os diretores adotaram uma linha que entenderam que seria um impacto final. Infelizmente, essa linha destoa do filme como um todo e o torna quase um filme B. Se essa era a intenção, deveriam ter deixado claro desde o início.

Vale pela atuação dos atores adolescentes, pelo clima de amizade entre eles e, como já disse, pela reconstituição. Um filme para assistir em uma tarde preguiçosa em um final de semana qualquer.

(Nota 6,5)

Amor

Amor…

Quero,

Guardo para mim

E sinto-o rebelde.

Foge

E se volta contra mim.

Aos poucos toma conta

E, de repente,

Devora o que há em volta.

Suga, sufoca, e por vezes

Machuca.

Traz dúvidas e ainda a certeza

De não ser exato.

De dimensões diversas

E desigual significado,

É pronunciado

Entre dentes, entre corpos,

Suspiros…

Acreditar nele é cair em sua armadilha.

Escondê-lo é torturar a alma

Que geme e clama por liberdade.

Deixa-lo fluir

É um segredo, enigma

Que não sei desvendar.

Ao mesmo tempo que o desejo,

O afasto com repulsa.

Sua amplitude

E indefinição assustam,

Tornam-me vítima.

Como dominá-lo, dosá-lo,

Sem que lágrimas doloridas corram?

O aperto no peito, símbolo da prisão,

Assolam os momentos

Em que me separo do amor.

Tal qual um ímã, ele atrai

E repele sem deixar-se tocar.

Ah, amor…

Meu amor.

Não fuja.

Não lute.

Sinta o amanhecer junto a mim…

Eliana Leite (1995)

Além da Razão

A descoberta de coisas novas

Atraem ao primeiro instante

Mas depois assustam, repelem.

Fazem com que tudo seja mistério.

O desconhecido, se conhecido, é temido

E se temido, é rejeitado.

E então se revolta e aí se torna

Não o desconhecido ou temido

Mas o desejo íntimo de querer descobrir

Algo a mais do que se vê,

Do que se toca,

E até do que se ama.

Os olhos veem muito além da matéria

Mas a razão se limita à vida

Que está presente, mas inerte

Que se faz pesar, mas é inútil

E que nos faz perder tempo

Pensando em outra pessoa

Admirada, mas indiferente.

Gostaria de não a ser para ti,

E temo que a és para mim.

Perdoa-me as palavras,

Mas foi tudo por amor à vida,

Desconhecida e inacessível

Mesmo pelos maiores sonhos.

Eliana Leite

(1991)

Alvo

Qual o alvo de minha flecha?

Quem desejo acertar,

Se não um sonho,

Um ideal inexplicado.

Por um vidro frágil,

Observo a trilha deixada

Pelos passos que dei.

Chego à conclusão

De que é preciso continuar.

Nesses ossos espremidos

Pela carne,

Há um espaço

Para o futuro.

Sei que não são adulta,

Sou tampouco criança.

Gostaria de ser um anjo

E navegar pelo céu,

Vagar pelo vão do universo

E trazer a preciosidade

Dos mistérios que nos rondam.

Enfim, qual a estrela que brilha mais,

Qual o coração que ama mais,

Quem é aquele que,

Nessa vida,

Tem mais a oferecer?

Talvez nenhuma estrela.

Talvez nenhum coração.

Talvez ninguém.

O alvo é tão distante

Quanto as almas

Que almejam se tocar…

Eliana Leite

29/06/1995