Ao Sabor do Mar

Fim.

Recomeço.

Desata daqui, amarra dali…

Quem dá ponto sem nó?

Sou como o barco a vela,

À própria sorte.

O vento me leva.

Sorte de quem?

Mulher.

Quem define o sexo frágil?

Crueldade com asas quebradas.

Verdade vedada pelo tempo.

Vergonha de chorar.

Engole essa dor, menina.

Olha o balão, o palhaço,

Olha o carro, cuidado…

Pula amarelinha,

Alguns passos… da terra para o céu.

Joga pedra, pulseira, colar.

Que tempo é esse?

Quebra-cabeça, quebra o vaso,

Te quebro, quebram-se aquelas regras

Em silêncio…

Cachorro, gato, criança, grito.

O medo do escuro, dos olhos brancos.

Medo dos braços,

Da prisão sutil,

Das correntes invisíveis.

Quem é livre, afinal?

Doce menina,

Raro sorriso,

Alma doente.

Incapaz de amar?

Concreta demais, profunda demais,

Egoísta sem saber.

Vê no beijo o futuro,

Dilacerado, gasto, roto…

Sente o gosto da permanência

Paradoxalmente efêmera…

Une as mãos ao peito,

Namastê

O deus em mim cumprimenta

O deus em você…

Ilumina o caminho

Deixe-me navegar…

                                                                                                                                              Eliana Leite

                                                                                                                                              (29/06/2005)

Publicado por

Eli Leite

Apaixonada por livros, filmes, poesia, textos, histórias e estórias

6 comentários em “Ao Sabor do Mar”

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