Em Chamas

Fogo jovem, imaturo
Queima nas ruas e encanta
Incontrolável, ataca inocentes
Imprevisível, varre os olhos.
 
Água velha, consciente
Jorra de fontes nas praças, enfeita
Incoerente, molha sem molhar
Mata a sede dos pássaros
Insípida, inodora, incolor.
 
Água que banha o fogo
O novo e o antigo em conjunção
 
Impossível
 
Água, mesmo rala,
Extingue o fogo...
 
Fogueira no coração
Água na alma
Confusão no verbo
 
Inconclusivo...
 
O beijo, caloroso
A realidade, fria
Momento ímpar, paralisa
Não se repetirá
Ficará na foto
 
Irretratável
 
De que forma o fogo pode superar
A água, implacável?
Somente pelo excesso
Sobre a escassez?
 
Injusto...
 
Palavras, fogosas
Relações aguadas
Sentimentos em cinzas
Uma brasa escapou naquela noite.
 
Inconsciente...
 
Temo o fogo, mas o amo
Recebo a água e dela necessito
Sol, lua, mar, areia quente
Fumaça
 
Incêndio...
 
Labaredas belas fogem para o céu
Livres ao ar
Lambem as estrelas
Tentam o oceano
E nele morrem
 
Incandescente...
 
Estalo de madeira queimando
Extintor
Bombeiro
Socorro
 
Insuficiente...
 
Que se ilumine a caverna escura
Que se encha o cantil
Que se conjuguem os opostos
Que um penetre no outro
 
Invisível..
 
Tempestade
Granizo
Chuva
Garoa
 
Inesperado...
 
Escorre o líquido por entre os dedos
Arde o fogaréu das ideias
 
Intangíveis...
 
Eliana Leite
(28/08/2005)

Publicado por

Eli Leite

Apaixonada por livros, filmes, poesia, textos, histórias e estórias

2 comentários em “Em Chamas”

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