Sete anos: sete injustiças do Oscar

Esse tema me veio à mente após ter assistido ao Oscar 2019 e, com nostalgia, me lembrar de quando comecei a assistir a esta cerimônia e me interessar de verdade por filmes. Eu acho que já comentei que o Oscar, atualmente, não é, assim, algo a ser tão levado a sério. Mesmo assim, continuo acompanhando. Até que este ano eu assisti com mais afinco (me pareceu uma cerimônia mais leve, mais moderna, na medida do possível). Houve anos em que mal assisti, seja porque a cerimônia estivesse um porre, seja porque os candidatos não fossem tão especiais.

De qualquer forma, é um prêmio importante e eu não poderia deixar de comentar sobre os filmes que eu acho que deveriam ter ganhado… Para isso, reuni 7 “vítimas” das injustiças do Oscar…

  1. 1988 – Alguém assistiu ao “Último Imperador” e conseguiu ir até o fim? Rsrs… Esse é um daqueles “filmes de Oscar”. Não tinha para ninguém… Mesmo sendo bem chato… Todavia, foi um outro indicado que ganhou meu coração e ainda reina entre os favoritos desta eterna romântica: “O Feitiço da Lua”. Ali, temos Cher e Nicolas Cage em ótimas atuações e com uma química de tirar o fôlego. Sem falar em Olympia Dukakis e Danny Aielo. Como não se apaixonar por essa história que se passa no Brooklyn, com todas as esquisitices que as famílias possuem, o sotaque, a musicalidade, o humor peculiar… dificilmente, um filme desta categoria faturaria o Oscar (engessado que era/ainda é?), mas bem que poderia… Sequer me lembro do (chatérrimo) “Último Imperador”.
  2. 1991 – Neste ano, o filme (que eu mais amo no mundo) “Sociedade dos Poetas Mortos” concorreu ao Oscar, perdendo para “Conduzindo Miss Daisy”. Claro que gostei de “Conduzindo…”. Tem a dupla imbatível Morgan Freeman e Jessica Tandy e uma história linda. Porém, “Sociedade” é o filme da minha vida (já dediquei um post só para ele)! Então, teria sido um presente… Aqui, não se trata de uma injustiça propriamente dita, mas tão-somente uma preferência desta singela amante do cinema e da poesia…
  3. 1997 – Quantas vezes assisti ao “Paciente Inglês” versus quantas vezes assisti a “Jerry Maguire”? 1 x 459… rsrs… Ok, ok… Novamente, estamos diante da caretice da Academia e de algumas tradições. Ainda assim, “Jerry Maguire” tem todos os ingredientes de um grande filme. Tom Cruise em excelente forma e Cuba Gooding Jr. arrasando com seu jargão “show me the money!”. Vale lembrar que Cuba ganhou o Oscar. “Jerry” deveria ter sido filme daquele ano, daquele Oscar. E, como o tema aqui é injustiça, arrisco dizer que ele foi um dos maiores injustiçados , pois havia forte preconceito contra a capacidade profissional de Tom Cruise, que não era levado muito a sério (é polêmico falar dele, pois tem sérios “issues”, mas vou me apegar e me ater à memória afetiva que este filme provoca). Uma pena. “Paciente Inglês”? Juro que mal me lembro… Sorry…
  4. 1998 – O filme que devia faturar o Oscar era “L.A. Confidential”. Porém, veio o blockbuster “Titanic” e acabou com qualquer chance. Titanic é um bom filme? Sim, sem dúvida! É um filme que merecia o Oscar? Quando paro para pensar no roteiro, nos diálogos e na obra como um todo, concluo que não. Entretanto, falar que Titanic não merecia o Oscar é gritar ao vento… Bom mesmo foi ver que “Avatar” não teve a mesma sorte. Efeitos especiais não são tudo. E a ideia de Avatar até podia ser boa, mas aquele roteiro… e os diálogos (ou seja, mesmo diretor, mesmos problemas)… enfim, esse não passou! “L.A. Confidential”, por sua vez, é um grande filme. Elenco afiadíssimo (Kim Bassinger faturou o Oscar de atriz coadjuvante), roteiro muito bom, sem comparação. Se você ainda não assistiu, assista! Russel Crowe e Guy Pearce em tempos que não voltam mais…
  5. 1999 – Este foi um ano de muitas injustiças reunidas. Comecemos pela vitória de “Shakespeare Apaixonado” sobre “O Resgate do Soldado Ryan” (???) Lembro-me de ter ficado chocada com esta repentina vitória de um “filminho”… Bem decepcionante. Houve várias teorias da conspiração, sobre lobby e afins, mas fato é que a Academia errou feio. “O Resgate do Soldado Ryan”, ou mesmo “Elizabeth” eram filmes muito superiores e dignos de premiação. Eu gosto da Gwyneth Paltrow, mas não a ponto de dar um Oscar por sua atuação no “filminho”. Para mim, ficou um gosto amargo (que, como se pode perceber, ainda me incomoda!) de derrota injusta e mal contada. Vamos lembrar que nossa rainha Fernanda Montenegro estava concorrendo ao Oscar de melhor atriz e o filme “Central do Brasil” a melhor filme estrangeiro. Sem mais… Nem vou comentar sobre “A Vida é Bela”… Não é meu filme preferido e ponto. Para mim, 1999 poderia ter sido um ano de efetivo reconhecimento de bons filmes e atores… Mas ganhou quem fez mais propaganda… Infelizmente…
  6. 2011 – Quando assisti ao filme “A Rede Social” pensei: “nossa! esse filme é sensacional!” Depois fui conferir “O Discurso do Rei”, com altíssimas expectativas e achei o filme muito chato, mas logo vi que seria o vencedor do Oscar. E assim foi. A Academia sucumbiu ao lobby, ao formato “filme de Oscar chato”. Detestei tudo isso. É tão bom quando aparece um filme que trata de temas fora da caixa, modernos, com atores não contaminados pelo mainstream. Porém, a Academia é tradicional e tem medo de inovar. Ainda hoje é assim. Aplaudimos as exceções, quando estas deveriam ser a regra. 2019 até que inovou, em alguns aspectos importantes, mas tem que manter isso. Voltando ao nosso injustiçado: é um filme excelente, instigante, atual, polêmico e impopular. A trama é muito bem costurada, o elenco jovem arrasa e trata de um tema tão tangível e real, mas não… Vamos premiar um filme chato… Such is life!
  7. 2015 – “Birdman” não é um filme ruim. Mas “Whiplash”… Ah! Que filme! Nunca mais revi “Birdman” (e nem pretendo), mas já assisti a “Whiplash” pelo menos mais 2 vezes. Lembro-me de ter ficado boquiaberta quando a história começou a se mostrar. Miles Teller me surpreendeu com sua atuação forte, dedicada, demonstrando que tem muito potencial. J.K. Simmons está perfeito, irretocável (tanto que ganhou diversos prêmios por este filme). Eu gosto de filmes que não estabelecem limites entre “o bem e o mal”, que retratam o ser humano em sua essência, a vida nua e crua. “Birdman” tem isso também, mas há algo em “Whiplash” que o torna memorável, quase obrigatório. Resumindo: é genial. E é um injustiçado…

Publicado por

Eli Leite

Apaixonada por livros, filmes, poesia, textos, histórias e estórias

Um comentário em “Sete anos: sete injustiças do Oscar”

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