O Dono do Mundo

Quando o homem se torna vítima

De si mesmo

De seus objetos plásticos

Boiando em águas sujas

De seus amores plásticos

Que nunca se decomporão

Crias plásticas

Eternas, sobreviverão ao criador

Quando já é tarde demais…

Vidas plásticas no fundo do mar…

As crianças brincam com seus brinquedos

De plástico

Sorriem sorrisos plásticos

E não saem na rua

Os velhos se apoiam em suas memórias

Plásticas

E temem a morte

Em caixões de madeira

Os animais de estimação roem seus ossos

De plástico

Latem para o nada

São guardados como anjos

Dentro de caixas plásticas

A memória de um mundo

Tóxico e feito de plástico

Vazio por dentro

Comido por ratos que desistiram e se foram

Cansados de comer plástico

Quando ainda é cedo demais

E o sol não nasce

Preso na cápsula plástica do tempo

Este tempo que se mede em relógios de metal

Um ser de outro mundo

Olha para nós

E não nos vê

Estamos todos embrulhados, plastificados,

Contaminados, artificiais

Seremos como a tartaruga, a baleia, a foca, o coral.

Sufocaremos em nossos plásticos

E neles nos transformaremos

No fundo do mar…

No fundo do mar…

Para sempre…

Eliana Leite

02/04/2019

Publicado por

Eli Leite

Apaixonada por livros, filmes, poesia, textos, histórias e estórias

2 comentários em “O Dono do Mundo”

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