Eu e você somos feministas

Falar sobre o feminismo é sempre relevante. Tenho lido bastante sobre o tema, de diversas fontes, desde Ruth Manus a Rebecca Solnit… Outras mulheres já escreveram coisas grandiosas e marcantes e, ainda assim, quero dizer algo. Para me expressar, para complementar…

Sempre bom começar pela origem de tudo.. O que é, afinal, feminismo? Nada mais do que a busca pela igualdade de direitos entre homens e mulheres. Ele existe porque os direitos entre homens e mulheres são desiguais. Tal desigualdade traz consequências em todos os aspectos possíveis e imagináveis. O feminismo busca reduzi-las e (quem sabe, um dia) eliminá-las.

Certo. E o que vem sendo feito? Por exemplo: hoje, eu posso votar. Posso trabalhar. Posso fazer coisas aparentemente simples e básicas, comuns a um cidadão. Posso comprar um imóvel sozinha. Posso comprar um carro sozinha. Posso viajar sozinha. Posso abrir um negócio. Posso dirigir. Posso ir e vir a meu bel-prazer. Há não muito tempo, isso não era possível. Teria que pedir permissão para estas coisas. Permissão a um homem. Eu hoje posso escolher se vou mudar meu nome ao casar. Até 1970, as mulheres TINHAM que adotar o sobrenome do marido. E se engana quem pensa que estes direitos existem hoje para todas as mulheres no mundo. Há culturas que ainda oprimem a mulher de forma ostensiva .

Voltando ao ponto central… Mesmo podendo votar, dirigir, ir e vir, etc, ainda sofro com o machismo. Todos os dias. E não pense que fico me vitimizando, não! Este “sofrer” é reflexo do patriarcado. Podem ser coisas explícitas, como uma piada machista em um churrasco (sério, gente? Isso já cansou…) até as mini agressões no trabalho, no dia a dia. Que mulher não recebe essas mini agressões? Algumas retrucam, outras reviram os olhos, ou então calam e se retraem. Para que possamos rebater, sem medo, temos que nos unir. Não seja aquela mulher que taxa a outra de “louca” quando esta confronta o machismo. Quando iremos chegar naquele cara mala do churrasco e dizer “chega’? Toda vez que nos calamos, fortalecemos o patriarcado. Ele é tão opressor que se alimenta do nosso silêncio. Aproveita-se de nossa insegurança e falta de auto-confiança. Ganha força quando não temos sororidade, quando julgamos umas às outras. Para o patriarcado, não interessa que sejamos solidárias umas com as outras. Se você, mulher, ainda diz que “não é feminista”, volte ao começo deste texto e lembre-se: você vota, você dirige, você trabalha. E, ainda assim: existem poucas mulheres representando nossos interesses no Governo, os homens continuam achando que “mulher no volante é perigo constante” e as mulheres ganham menos do que os homens.

Paremos de repetir estereótipos. Deixemos de usar termos como “feminazi” ou dizer que “feminista é mal-amada”! Quando repetimos estes comportamentos nocivos, nada fazemos do que nos violentar. Precisamos respeitar nossas escolhas, pois temos que entender que SOMOS LIVRES PARA FAZER ESCOLHAS.

Se você é mãe, já sabe que tem uma missão muito importante na educação de seu filho ou filha. Você precisa quebrar esses paradigmas. Junto com o comportamento machista, caminham a homofobia, o racismo, a intolerância. E tudo começa em casa. Na educação. Ah, se necessário, eduque seu companheiro, seu pai, sua mãe. Lugar de menina e menino é onde eles quiserem. Cor, brinquedo, brincadeira, roupa. Nada disso tem gênero. Observe a si mesma antes de julgar os demais. Veja se você não olha para a moça ao seu lado e tem pensamentos machistas, preconceituosos. Cabelo, maquiagem, roupa, sapato, são apenas coisas. Elas não nos definem. É preciso que sejamos mais humanas e generosas conosco. Que olhemos para nós mesmas e nos abracemos com todas as inseguranças e imperfeições. Parafraseando Kelly Clarkson, ” we´re broken and it´s beautiful!”

Sororidade não é “modinha”, tampouco bobagem. É o que nos mantém em pé para lutar todos os dias. Pense nisso. Reflita sobre suas ações. Sorria para moça ao seu lado.

Obrigada. De nada.

Eliana Leite

25/05/2019

Publicado por

Eli Leite

Apaixonada por livros, filmes, poesia, textos, histórias e estórias

2 comentários em “Eu e você somos feministas”

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