Ensaio Sobre o Amor

Amor. Adjetivo? “Você é um amor de pessoa”. Verbo? “Eu amo minha família”. Substantivo? “O que você sabe sobre o amor?” Pronome? “Oi, Amor, posso falar com você?” Como pode uma palavra ser tantas coisas? E, ainda, representar um sem número de mundos para diferentes pessoas. Amor próprio. Amor fraterno. Amor materno. Amor carnal. Amor de mãe. Amor à vida.

E os significados? Inúmeros. Pode ser que eu esteja errada ao dizer que o amor é um verbo. Ou um substantivo. O amor deveria ser só adjetivo. Porque adjetivo é qualidade. Porém, quando analiso, não consigo concordar. O AMOR é maior que ele mesmo. Pessoas morrem por amor. Quando ele falta. Quando ele excede. Quando ele foge do controle. Quando ele escapa pelos dedos. Quando ele fica cego. Quando ele se disfarça de obsessão. De egoísmo. De possessão. De fraqueza. De vaidade. Há quem não acredite no amor. Há quem não conheça o amor. Há quem não queira o amor. Há quem busque o amor por toda a vida. Há quem mate o amor dentro de si. Há quem cale o amor. Há quem esconda o amor. Há quem não sinta o amor. Há quem não receba amor. Há quem reze por amor. Há quem fuja do amor.

Poetas falam do amor. Em todas as suas formas, em todas as suas deformidades. Amor é poesia. Mas não só. Amor também é prosa. É conto, novela, romance. Ensaio. Crônica. Teatro, cinema. Pode ser real, ou apenas fantasia. Pode estar em uma frase, um capítulo, uma seção inteira. Pode também não estar em lugar algum. Falar de ausência de amor também é falar de amor. Negar o amor é, paradoxalmente, assumir sua existência no mundo do ser. O não-ser é. Não amar é amar. É como a luz e a escuridão. Sol e Lua.

Como saber se é amor? Como saber se é amor o que você está sentindo? Não existe uma receita. Existem explicações nunca comprovadas. O coração acelera? Será? Lágrimas saltam aos olhos? Então, se não chorarmos, não é amor? A alma se aquece? Quem disse que ela é fria? Ouvem-se sininhos? E se nada ouvirmos, não é amor? Sentem-se borboletas no estômago? Pobres borboletas!

Naturalmente, uma mãe ama seu filho. E como explicar o abandono? E como explicar o desprezo? Dizem que colocar um filho para adoção é um ato de amor. Assim como o é adotar. Então, uma mãe adotiva ama seu filho. Como explicar? O amor é um ato? E como acaba o amor? “Não te amo mais”. Existe um recipiente de amor, com prazo de validade? O amor pode estar cercado de outros sentimentos que o complementam ou o enfeiam. O amor também é saudade. Quando o objeto do amor se vai, seja por vontade própria, ou não, seja por condições da vida ou seu fim, o amor permanece. Amor é também lembrança, nostalgia. Fotos e música. Cheiros. Gestos. Às vezes, quando achamos que estamos esquecendo de algo ou alguém, o amor, em forma de saudade, bate à porta e se senta para tomar um café.

E assim, tão intrínseco à vida, é o amor. Conosco, vem. De nós, se vai, se transforma. E encanta.

Eliana Leite (19/04/2018)

Publicado por

Eli Leite

Apaixonada por livros, filmes, poesia, textos, histórias e estórias

3 comentários em “Ensaio Sobre o Amor”

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