Cotidiano

A água da chuva cai

Sem se importar

O pássaro canta no mesmo horário, todas as manhãs,

Sem se importar

O gato grita todas as noites, louco e livre,

Sem se importar

O cão velho e rouco late para o nada, diariamente,

Sem se importar

A criança corre para os braços da mãe, ao voltar da escola,

Sem se importar

A velha senhora varre a calçada, faça chuva ou faça sol, às dez da manhã,

Sem se importar

A árvore dança ao vento, batendo suas folhas na janela,

Sem se importar

A pomba bate suas asas barulhentas, cisca no lixo,

Sem se importar

A moça ao lado toma o café preto e fuma um cigarro na sacada,

Sem se importar

A vida lá fora segue, sem se importar

Com seu cabelo

Sua roupa

A hora que acorda

A hora que dorme

O sol, a lua, as nuvens, as joaninhas e as mariposas

Realmente não se importam

Com suas frivolidades

Seus pseudo medos

Quem chegou

Quem foi embora

Então, por que você se importa?

Quando deixou de se importar com o café quente

O pão saído do forno

Ligar para sua mãe

Abraçar seu pai?

Quando não se lembrou mais

De consolar sua irmã

Acalentar a alma

Regar as plantas?

Quando foi a última vez que fez amor com amor

Que sorriu para o espelho

Foi gentil consigo mesma

Amansou a fera interior?

Por isso… faça como o vento que sopra

Sem se importar…

Eliana Leite

04/06/2019

Publicado por

Eli Leite

Apaixonada por livros, filmes, poesia, textos, histórias e estórias

Um comentário em “Cotidiano”

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