Quando decidi mudar de rumo

Dizem que a mágica acontece fora de nossa zona de conforto.

E como podemos definir “zona de conforto”? Alguns preferem “zona de comodidade”. De qualquer forma, conforto, comodidade, são lugares quentinhos e aos quais estamos acostumados. Bom ou ruim, fato é que a festa não está rolando neste endereço.

Posso dizer que me encontrava em uma zona de conforto ao não mais me sentir desafiada e não mais ter aquele frio na barriga para encarar o dia que se colocava à minha frente. Quando comecei a dar de ombros, a achar que tanto fazia esta ou aquela roupa, não queria sequer passar um batom para sair. Alguns dirão que isso não é zona de conforto e sim um passo para a depressão. Digo que o conforto, ou a comodidade, tira sua vaidade, sua vontade. Se pode levar a um quadro depressivo, deixo aos entendidos no assunto avaliarem. Voltando ao tema – você já se pegou fazendo as coisas no piloto automático? A rotina me engoliu de tal maneira, e eu permiti, que não havia espaço para criar, inovar, pensar…

Isso foi há mais ou menos um ano e meio. Tive um “click” quando fui a uma reunião cujo tema me interessava deveras e não consegui prestar um minuto de atenção. Fiquei navegando na Internet, pelo celular, batendo papo no Whatsapp, fazendo lista de “to do´s” pessoais e até lista de mercado. Quando percebi, a reunião estava no fim e eu não sabia o que havia sito dito. “Vou esperar a ata”, pensei, e então quis me bater com o mesmo celular que me escravizava.

Os dias no trabalho se arrastavam e eu, já um pouco mais consciente, passei a me incomodar comigo mesma. Como se me olhasse do alto, notei que era um poço de reclamações e negatividade. Perguntei a mim mesma como meu marido aguentava? Meus amigos mais próximos? Meu time? Meus pais e minha irmã? Passei então a buscar um caminho que pudesse me tirar daquele inferno em que eu mesma tinha me colocado. Pensei em mil coisas: terapia, yoga, jogar tudo pro alto sem nenhuma estratégia… Após muitas conversas, fiz um trabalho voltado à busca de meu propósito. Quem me ajudou foi o Edu Seidenthal, coach, fundador da Rede Ubuntu de Eupreendedorismo. Cito o nome dele pois penso que devemos agradecer nominalmente às pessoas que nos salvam. O trabalho de buscar meu propósito foi essencial para me trazer onde estou hoje. Além disso, foi (e vem sendo) uma jornada deliciosa. Da negatividade, passei para um sentimento de acreditar que seria possível. Quando vi, uma onda de otimismo me atingiu. Acabei resgatando sentimentos que estavam praticamente enterrados desde, sei lá, 2004, ou até antes. Fui olhar os textos que escrevi em 1993, 94, 95… Reatei com essa Eliana.

Foi então que fui fazer conta. Quanto tempo poderia segurar as pontas sem ter uma fonte de renda, a curto, médio e longo prazo? Planos A, B, C… Z. Como trabalhar com o que eu gosto e também me dedicar à minha paixão que é a escrita? Com esta equação me deparei e com ela estou lidando atualmente. Agora, estou do outro lado da mesa, oposta ao lado que ocupei pelos últimos 20 anos. Estou prospectando clientes, oferecendo meu trabalho como advogada e consultora tributária. Este projeto vem tomando corpo e tem me estimulado muito. Não é fácil, mas eu quero tentar. Estou animada, como há muito não me sentia. Faz pouco mais de 2 meses que me desliguei da empresa onde trabalhava há 7 anos (sim, pedi as contas!), tudo é novo para mim e estou saboreando cada momento. Há incertezas, dúvidas, por vezes bate aquele desespero, mas eu procuro então focar lá na frente e também me apoiar no que me fez querer mudar. Quando perseguimos nosso sonho de forma incansável, o resultado só pode ser positivo. E, de outro lado, também quero me dedicar à escrita. Meu livro, engavetado há anos, finalmente publiquei no dia 31/07/2019! Aqueles textos antigos – guardar para quê? Vou publicar! E, claro, vou escrever outro(s) livro(s).

Ultrapassei a linha imaginária do medo. Eu era a pessoa que menos acreditava em mim mesma. Agora, sou minha fã. E vou em busca deste novo, deste desconhecido. Estou alimentando meu sonho, minha alma. Pode dar tudo errado? Pode, mas agora, não será esse meu foco.

O que me motiva a seguir é o fato de eu saber que não estou sozinha. Há alguns anos, eu jamais teria saído de um emprego, pois meus pés estavam fincados no chão. Se hoje tenho asas, é porque tive apoio para poder erguê-las e sentir o vento por entre elas.

Obrigada, Fábio Miranda, meu marido, meu amigo, por estar ao meu lado e por ser parte de tudo isso!

E assim, concluo… Mudei o rumo de minha vida aos 43 anos… Cedo? Tarde? Louca? Corajosa?

Viverei e verei.

Conto depois…

P.S.

Meu propósito:

“O que o pintor busca nas tintas

O que o ator busca no palco

O que o pescador busca no mar

Eu busco na escrita.”

Publicado por

Eli Leite

Apaixonada por livros, filmes, poesia, textos, histórias e estórias

4 comentários em “Quando decidi mudar de rumo”

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