Desenhos na Areia

Como deve bater um coração

Ao qual um falso amor

Foi dado?

Como devem soar as palavras

Distorcidas, incompreendidas?

O tempo enganou,

Não foi capaz

De ensinar como mentir,

Sem que aquilo fosse em vão.

Dias vazios, noites passageiras.

A mente em outros lugares.

Desencanto mascarado

Sob a superfície da amizade.

Barreiras, mil barreiras.

Fragilizadas pela paixão,

Erguidas pelo desprezo.

O silencio chegou de repente,

Um aviso do nada.

Sonhos quebrados,

Inúteis.

Lágrimas flagradas

No escuro de uma solidão

Nunca antes conhecida,

Tampouco imaginada.

Os espelhos refletiam imagens opostas,

Que não transpareciam no sorriso.

Eram apenas desenhos

Feitos na areia

E apagados pelo vento.

Somente a memória os guardou,

Repleta de esperanças,

Agora perdidas.

Não haverá mais trilha para seguir,

O caminho bloqueou-se sozinho,

E a corrida foi feita de olhos fechados.

O barco virou com uma tempestade

De momentos que não se encaixavam.

Tanta entrega.

Em troca, a perda.

Por que não seguir, ainda?

As armas continuam disponíveis.

Desafios provocam inimigos

E aliados.

Tudo em seu lugar.

Nada desperdiçado.

Nada além de mim mesma.

Eliana Leite

(1993)

Publicado por

Eli Leite

Apaixonada por livros, filmes, poesia, textos, histórias e estórias

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