Amor

Amor…

Quero,

Guardo para mim

E sinto-o rebelde.

Foge

E se volta contra mim.

Aos poucos toma conta

E, de repente,

Devora o que há em volta.

Suga, sufoca, e por vezes

Machuca.

Traz dúvidas e ainda a certeza

De não ser exato.

De dimensões diversas

E desigual significado,

É pronunciado

Entre dentes, entre corpos,

Suspiros…

Acreditar nele é cair em sua armadilha.

Escondê-lo é torturar a alma

Que geme e clama por liberdade.

Deixa-lo fluir

É um segredo, enigma

Que não sei desvendar.

Ao mesmo tempo que o desejo,

O afasto com repulsa.

Sua amplitude

E indefinição assustam,

Tornam-me vítima.

Como dominá-lo, dosá-lo,

Sem que lágrimas doloridas corram?

O aperto no peito, símbolo da prisão,

Assolam os momentos

Em que me separo do amor.

Tal qual um ímã, ele atrai

E repele sem deixar-se tocar.

Ah, amor…

Meu amor.

Não fuja.

Não lute.

Sinta o amanhecer junto a mim…

Eliana Leite (1995)

Publicado por

Eli Leite

Apaixonada por livros, filmes, poesia, textos, histórias e estórias

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