Sobre o texto “Ser Pó”, de Santiago Dabove

Estou participando de uma Sala de Leitura e o texto “Ser Pó”, de Santiago Dabove, foi escolhido como tema para uma discussão. Confesso que nada sabia do autor. Descobri também que este texto faz parte de uma Antologia da Literatura Fantástica (Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares e Silvina Ocampo). O texto é, na verdade, um conto breve. Se engana quem pensa que, por ser um texto relativamente curto, é de leitura fácil ou rápida.

O texto está disponível na internet, em uma publicação da Revista Piauí. Porém, por motivos desconhecidos, “faltou” o final em tal publicação, que está no livro. Ao final , vou deixar aqui esta parte, e deixo para você pensar sobre o texto “sem”e “com” este trecho..

Ainda que a literatura fantástica não seja o estilo que mais me atrai, eu gostei desta leitura. O autor faz com que o leitor viaje junto com o personagem e sinta o que ele descreve que está sentindo, de uma forma envolvente e encantadora. Flerta com o aflitivo, mas não chega lá. Eu, particularmente, não me senti mal ao ler o texto. Pelo contrário, senti empatia pelo personagem, pois a dor que ele estava sentindo antes de mergulhar na viagem propriamente dita, é de dar pena. Quando eu comecei a ler, senti que o autor fazia um pacto comigo para embarcar nesta breve, porém intensa, jornada.

A leitura, em tempos de pandemia e confinamento, faz muito sentido para que possamos avaliar não só a nossa condição (seja ela confortável ou não), mas colocarmos tudo isso sob uma ótica como o colapso do sistema de saúde, as mazelas sócio-políticas que se mostram ainda mais e uma das maiores crises sanitárias do mundo. Como nos posicionamos? Um humano caquético, que quer virar vegetal, se decompor e esquecer de tudo? Meros espectadores? Um cavalo que foge?

Reflexões, interpretações, que nem sempre levam a conclusões. Existem textos que caem em nossas mãos para nos fazer pensar, pensar e não efetivamente fechar uma porta. O meu objetivo ao participar desta sala de leitura é exatamente este: conhecer livros, contos e texto que, normalmente, eu não leria. Desafiar-me a sair da zona de conforto e buscar em fontes às quais antes eu não iria…

Em tempo, o texto prendeu minha atenção logo no início, ao falar de um Imperador Romano que eu desconhecia (Mitrídates), instigando-me a pesquisar.

Abaixo, deixo o trecho final do conto/texto:

“Mas tudo isso não passa de sofisma. Cada vez mais morro como homem e essa morte me cobre de espinhos e camadas clorofiladas.

E agora, diante do cemitério poeirento, diante da ruína anônima, o cacto “ao qual pertenço” se desagrega, seu caule cortado por uma machadada. Que venha o pó igualitário! Neutro? Não sei, mas teria de ter vontade o fermento que novamente se pusesse a trabalhar com matéria ou coisa como “a minha”, tão trabalhada de decepções e desmoronamentos.”

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