Qual foi a última coisa que você fez uma única vez?

Mariana acendeu o charuto. Lenta e pacientemente, como tinha aprendido. Era a primeira vez que ia sozinha ao clube de charutos. Resolveu pedir uma dose de uísque. Ao fundo, tocava um jazz suave. Notou que uma mulher a observava. A mulher se aproximou. Loira, alta, de uma beleza não óbvia. Seu nome era Cecília e trabalhava lá. Começaram a conversar sobre charutos. Mariana confessou que era uma iniciante. Cecília se sentou. Fumava um cigarro. Pediu um Negroni. Mariana perguntou se ela podia beber no trabalho. Cecília riu e comentou algo como aquele ser o melhor trabalho do mundo. Quando ia perguntar há quanto tempo trabalhava ali, alguém chamou por Cecília, que pediu licença e se foi. Mariana então voltou a atenção para o charuto e o uísque. Deixou-se embalar pelo som e divagou sobre aquela noite, um encontro consigo mesma. No dia anterior, estava lamentando com a irmã sobre o fato de não encontrar companhia para sair à noite, como era difícil conciliar agendas, principalmente pelo fato de as amigas estarem casadas, com filhos. Quando terminou de reclamar, sua irmã apenas perguntou porque ela não ia sozinha. Não precisava depender de ninguém para sair de casa. E ainda arrematou com um “pare de reclamar e vá viver a vida”. Com este pensamento, resolveu sair do trabalho e ir ao clube de charutos. Ela já tinha ido duas vezes, no ano passado, com seu amigo Caio, que agora vivia em Londres. Conversavam bastante por WhatsApp e Skype, mas ela sentia muito sua falta. Foi então que decidiu mandar uma mensagem para ele acompanhada de uma “selfie”, dizendo “adivinha onde eu estou?”. Porém, a mensagem não foi lida por Caio. “Deve estar ocupado”, concluiu, frustrada. Pensou em postar a foto no Instagram, mas desistiu. Guardou o celular na bolsa e decidiu ter aquela noite para si. Sinalizou para a garçonete, que a avistou e logo se aproximou. Pediu uma água com gás. Assim que a garçonete saiu, Cecília se aproximou novamente.

               – Desculpe ter saído daquela forma. Tive que resolver um probleminha.

               – Imagine, não precisa se desculpar.

               – E então, está curtindo a noite?

               – Sim, estou me dando esse direito.

               – Veio sozinha?

               – Sim. Não é algo que eu tenha o costume de fazer, mas decidi que deveria.

               – Você não precisa se explicar para mim. Muitas pessoas vêm aqui sozinhas.

               – Não estou me explicando… é só que… – e Mariana ficou sem saber o que dizer.

               – Relaxa, mulher. Vamos lá, me conte sobre este charuto.

               – Ah… sim… gostei dele. Tem um bom fluxo, suave, combina com o uísque. É nacional.

               – Você comprou aqui?

               – Não, esse eu ganhei de um amigo. Foi ele que me apresentou esse lugar.

               – Não me lembro de você. Quando vieram?

               – No ano passado. Nossa, mas tantas pessoas passam por aqui. Você não se lembraria.

               – Digamos que eu sou uma boa fisionomista. Certamente me lembraria de você. Mas no ano passado eu ainda não trabalhava aqui. Comecei no início deste ano.

               – Onde você trabalhava antes?

               – Eu estava em Cuba. Tirei um ano sabático e fui para lá.

               – Uau! E foi bom?

               – Foi uma experiência maravilhosa, mas não volto mais. Certas coisas temos que fazer uma vez. Qual foi a última coisa que você fez uma única vez, fora sair sozinha à noite?

Mariana ia responder, quando a garçonete chegou com a água. Enquanto servia perguntou se ela queria comer algo. Cecília recomendou o canapé de salmão defumado. Mariana pediu e, assim que a garçonete se retirou, respondeu:

               – Acho que minha “única vez” foi ter ido à Bahia no Carnaval. Nunca mais voltei e nem pretendo. Quase morri pisoteada.

Cecília riu:

               – Eu não suporto multidões.

               – Eu também não. Prefiro lugares como este.

               – Daqui a pouco vai chegar um grupo de mulheres, uma confraria. Posso te apresentar para elas, se quiser. O grupo é animado e elas sempre gostam de receber pessoas novas.

               – Adoraria! Não sabia que existiam confrarias de mulheres para charutos.

               – Pois é, nós estamos dominando o mundo! Você vai gostar, tenho certeza. Eu vou coordenar a degustação.

               – Ótimo! Obrigada.

               – Vou me preparar para recebê-las. Te chamo.

E novamente Cecília se foi. Desta vez, Mariana se pegou olhando enquanto ela se movia. Terminou o uísque e pediu mais uma dose para a garçonete. Continuou apreciando seu charuto, tomando notas mentais do gosto, do cheiro, observando como a fumaça saía de sua boca, rumo ao ar condicionado. Assim que a bebida chegou, resolveu pegar o celular e anotar algumas das sensações. Quem sabe não mostraria para sua mais nova amiga? Quem sabe não escreveria depois, em um post no seu blog? Terminou de escrever, guardou o celular na bolsa e viu que algumas mulheres chegavam ao clube e subiam as escadas. Alguns minutos depois, Cecilia a chamou. Mariana não teve dificuldade de se enturmar. O grupo era formado por mulheres de diferentes estilos, todas com um interesse em comum: charutos. Cecília iniciou com um breve e imponente discurso sobre como o charuto pode trazer experiências diferentes e inesquecíveis, e como aquele grupo, e outros que se formavam ao longo do país e do mundo, demonstravam que não era um universo de homens, muito pelo contrário. Assim como o vinho, o café, o uísque, o charuto não poderia ser mais predominantemente masculino. Terminou a introdução com um vídeo rápido que mostrava mulheres trabalhando na fabricação dos charutos, e outras ao lado de familiares, donas de seus negócios e com fotos do clube em que estavam e dela própria como sommelier. Todas a mulheres ali presentes aplaudiram efusivamente e Cecília agradeceu, sem um pingo de vergonha, muito altiva e dona de si, o que, para uma mulher, costuma ser um sinal de arrogância. Mas não ali. Era um carimbo de amor próprio e conhecimento de causa. Mariana sentiu orgulho ao ver uma mulher determinada, se colocando daquela forma. Ela mesma não era tão autoconfiante, sabia disso. Cecília não perdeu tempo e já iniciou a noite apresentando o charuto que seria degustado naquela noite. “Antes de mais nada, quero dizer que não há essa questão de charutos masculinos ou femininos. O que existe é o paladar e, acima de tudo, o costume. Qualquer pessoa que comece a fumar charuto, não vai direto para um “maduro”, como chamamos, que é um charuto mais potente. Assim como com vinhos e cafés, sempre começamos com algo mais leve, para acostumar o paladar, o olfato e treinar nossos sentidos. Hoje vamos degustar um nacional, da Bahia, o Dona Flor, que tem um sabor mais suave e agradará a todos os paladares, tenho certeza” Mariana ficou encantada com a forma pela qual Cecília acendeu o charuto. Ficou observando os movimento suaves, porém firmes, e guardou na memória para treinar depois. Uma das presentes comentou: “Ela é demais… Olha quanta classe”. Então, o charuto foi degustado por cada uma das presentes para que comentassem sobre suas características. Para harmonizar, tomavam uísque e conhaque e, para matar a fome, carpaccio. Mariana ficou curiosa sobre o grupo e assim que teve a chance, perguntou para Cecília como poderia se tornar parte. Cecília deu um sorriso e chamou uma moça negra, alta e com o cabelo quase raspado:

               – Erika, essa é a Mariana, Mariana essa é a Erika, a dona da confraria.

               – Oi, Mariana, é um prazer tê-la aqui conosco. Como ficou sabendo?

               – Ah, a Cecília me chamou… Eu estava lá embaixo fumando meu charuto e…

               – Ela quer saber como fazer para se associar à Confraria. Vou deixá-las a sós – cortou Cecília, e saiu para dar atenção a outro grupo.

               – Me conta, Mariana, há quanto tempo você curte charutos?

               – Ah… não muito… Sei lá, no máximo um ano… e olhe lá. E não fumo muito, pois meu amigo que gosta e que me apresentou foi morar fora… fiquei sem companhia…

               – Hm… Bom, você sabe que fumar charuto pode ser algo muito prazeroso para se fazer a sós, não é?

               – Descobri isso hoje, por incrível que pareça.

               – Vamos ao que interessa: para fazer parte da Confraria, basta assistir a um vídeo. Você tem Instagram?

               – Tenho, sim. É @mariblue1976.

               – Deixa eu ver aqui… Pronto, te mandei a solicitação. É só você aceitar e eu mando o link do vídeo. Quando você terminar, vai receber algumas instruções de associação, nada de mais, só para confirmar que você é você mesma. Não há custo na associação. Quando temos estes eventos, cobramos um valor para o ingresso no clube, que inclui o charuto, a bebida e a comida.

               – Que legal! Vou adorar participar!

               – Ótimo! Considere-se uma de nós já! Fique à vontade e não se esqueça de ver o vídeo. Agora, tenho que ir pois preciso acertar algumas coisas com a Cecília.

               Mariana se sentiu peculiarmente pertencente a algo naquela noite. Há quanto tempo não fazia algo assim, do nada, sem alguém que a tivesse levado, ou alguém conduzindo tudo e ela sendo uma coadjuvante. Ser a atriz principal da própria vida era bom, concluiu. Ainda que aquilo fosse uma pequena parte do todo, era um bom começo. Serviu-se de mais carpaccio e uísque e foi até uma roda aleatória de 4 mulheres que pareciam bastante compenetradas na degustação do charuto. Apresentou-se e as quatro se juntaram num “oi” animado. Uma delas, que Mariana achava que era Daniela, perguntou se ela era nova no grupo. Mariana explicou como foi parar ali e se integrou à conversa. Estavam, de fato, conversando sobre o charuto e comparando anotações. Pediram para Mariana degustar e falar o que achava das notas, do fluxo, do sabor, do cheiro, etc. Foi uma experiencia sensorial única, em que Mariana se esqueceu do mundo lá fora. Estavam falando sobre a importância de terem mais charutos nacionais nas degustações, quando Cecília anunciou o fim do evento:

               – Charutandas, como sabem, esses eventos têm começo, meio e fim. Está na hora de encerrarmos, mas convido todas a descerem e terminarem seus charutos e aproveitarem o local. Vejo vocês no próximo!

               – Charutandas? – perguntou Mariana a Daniela.

               – Pois é, esse é o nome da nossa confraria. Gostou?

               – Interessante! E a Cecília sempre apresenta o charuto?

               – Sim, ela é nossa sommelier do coração. A Erika a conhece há algum tempo e as duas decidiram montar um grupo de mulheres. A Erika toca toda a parte de divulgação, associação, custos e a Cecília faz o show. Dá super certo.

               – Ah, entendi. Que legal. Amanhã mesmo vou assistir ao vídeo para me associar.

               – Você vai adorar. Bom, tenho que ir. Meu marido já me mandou mil mensagens. Até parece que o mundo vai acabar porque estou fora de casa à noite. Eu hein… Beijos, querida, foi um prazer.

Quando Mariana se deu conta, todas já haviam descido. Desceu também e resolveu ir embora, pois já havia bebido sua cota de uísque e fumado mais do que tinha planejado. A cabeça doía. Estava na fila do caixa quando Cecília a abordou:

               – Já vai?

               Mariana se virou, sobressaltada:

               – Que susto… Sim, está tarde e estou cansada. Mas foi maravilhoso! Adorei! Obrigada por me chamar. Foi uma experiência e tanto!

               – Fico feliz que tenha gostado. Vai se associar?

               – Ah, vou sim. Amanhã mesmo.

               – Então nos veremos mais vezes. De qualquer forma, vou deixar meu cartão com você para quando quiser bater um papo. Eu tiro folga aos domingos. Podíamos almoçar, o que você acha?

               – Claro… seria ótimo…

Mariana entrou no Uber e ficou olhando para o cartão de Cecília. Afinal, era apenas um convite para um almoço, em um domingo qualquer. Por que isso a afetava tanto? Por que se sentiu incomodada, como se fosse um convite para um encontro? Mariana estava se precipitando, sendo preconceituosa? Não sabia absolutamente nada sobre a orientação sexual de Cecília. E se ela só quisesse mesmo conversar, estreitar a amizade? Isso não é possível? E se Cecília fosse um homem, teria Mariana se sentido lisonjeada ao invés de incomodada? E por que Mariana ficou com a impressão de que Erika e Cecília já tinham sido um casal? Essas ideias ficaram martelando a mente de Mariana até chegar em casa. Deixou o cartão sobre o balcão da cozinha, tomou um banho e tentou dormir. Estava cansada fisicamente, mas a mente pregava peças. Pegou o celular e viu a mensagem de Caio: “Arrasando no charuto, hein? E aí, como foi? Ou está sendo?”. Viu que ele tinha escrito há uma hora e resolveu responder. Contou como foi a noite e sobre Cecília e Caio disse para ela não ficar encanada. Por que não poderiam ser amigas? Ele até deu uma provocada em Mariana, soltando um “ah, mas vai que você gosta?”, ao que ela respondeu “deixa de ser besta” e o assunto parou e a conversa rumou para outros temas. Era mais de duas da manhã quando Mariana deixou o celular sobre o criado-mudo e se deitou. Dormiu um sono leve, curto e nada revigorante. No dia seguinte, acordou cedo e foi trabalhar. Estava com dor de cabeça e enjoada. Comeu alguma coisa no caminho, tomou um café preto e tentou se concentrar na reunião que tinha logo pela manhã. Sem sucesso. Em meio à discussão do grupo sobre como engajar os funcionários que haviam acabado de responder à pesquisa de clima, Mariana não conseguia parar de pensar na noite anterior. O que, de tão especial, havia acontecido? Ficou divagando sobre como entraria em contato com Cecília, sobre o que conversariam. Pensou na roupa que iria vestir, se usaria maquiagem ou não, perfume? Que tipo de comida será que Cecília gostava? Será que era daquelas magras que comiam de tudo? Mariana olhou para a barriguinha saliente e se lembrou de que precisava retomar a academia. “Por que estou pensando nisso, meu Deus?” A reunião acabou, sem que chegassem a nenhuma conclusão, como era praxe. Marcaram outra data para buscar uma solução. “Mais do mesmo”, pensou Mariana. Ao chegar à sua mesa, Mariana assistiu ao vídeo das Charutandas, acessou o site e se cadastrou. Em seguida, recebeu o ok por e-mail de sua associação e algumas instruções. Ficou feliz por ter dado continuidade e por fazer parte de algo que não a brigada de incêndio da empresa. O restante do dia se arrastou em atividades rotineiras e mais reuniões inconclusivas, até que, ao sair do trabalho, Mariana foi até a academia perto de sua casa e retomou o treino, abandonado há algumas semanas. Tomou um iogurte antes de se deitar e pensou “agora vai!”. Sabia que isso duraria pouco, mas mesmo assim estava tentando se animar. A auto sabotagem já lhe era familiar. Por isso fazia terapia, mas também tinha dado alguns canos na Dra. Lídia. Amanhã ligaria para remarcar as consultas. De repente, Mariana percebeu que sua vida estava quase à deriva. Um barquinho no meio do mar, sem direção alguma. E ela ali, ao sabor do vento. Novamente, demorou para pegar no sono, em meio à auto análise tardia, e quando foi dormir, eram quase três da manhã. Assim que o alarme tocou, teve raiva de si mesma. Parecia um zumbi. Tomou uma ducha rápida para acordar, pegou qualquer coisa na geladeira para comer no carro e se foi. Ao chegar ao trabalho, logo se enfiou em reuniões intermináveis, desta vez sobre inclusão e diversidade e como ter esse departamento na empresa. Ela já tinha dado sua opinião várias vezes a respeito do tema, da importância e do cuidado que teriam que ter para não se tornar algo oportunista e desajeitado. Porém, pelo rumo que a conversa estava tomando, ficou desanimada e não teve vontade de comentar além do necessário. Sabia que, ao final, sairia algo oportunista e desajeitado e que ela teria que consertar depois, como sempre. Assim que saiu da reunião, marcou a consulta com a terapeuta e ainda levou sermão da secretária por ter demorado tanto. Almoçou sozinha, na mesa, para terminar tudo o que tinha e sair um pouco mais cedo naquela sexta-feira. Conseguiu ânimo para ir novamente à academia. Correu por meia hora e fez pilates. Chegou em casa e pediu comida japonesa. Não havia nenhum convite para happy hour, cinema ou jantar. “Sou uma antissocial”, pensou. As pessoas já haviam desistido de convidá-la, pois sempre recusava. Não tinha paciência para o pessoal do trabalho, e as amigas só falavam de filhos e maridos. Precisava mudar o círculo de amizade, mas tinha preguiça. Pensou na confraria, em Cecília e sorriu. Quem sabe não seria ali o recomeço de tudo? Ligou a TV e assistiu um filme qualquer na Netflix. Eram dez da noite quando olhou para o balcão da cozinha e viu o cartão ali, no mesmo lugar em que deixara. Levantou-se para pegá-lo e resolveu ligar para Cecília. Ela não atendeu. Escreveu no WhatsApp: “Oi, aqui é a Mariana. Nos conhecemos anteontem no clube de charutos. Que tal almoçarmos neste domingo?” Hesitou antes de enviar, pensou nos prós e contras, viu que estava pensando demais e enviou a mensagem. O que de mal poderia acontecer? E se ela não respondesse? E se ela só estivesse sendo educada ao falar sobre o almoço? Percebendo que estava entrando em um espiral, respirou fundo e foi para o quarto. Colocou a música para meditação no celular, se deitou e tentou relaxar. Dessa vez, conseguiu. Dormiu profundamente e acordou cedo em um sábado ensolarado. Ligou para a irmã e combinaram de almoçar. Assim que entrou no carro, já bateu o arrependimento. Teria que aguentar o cunhado mala e as crianças gritando pela casa. Não havia como desistir mais. Teria que enfrentar. Colocou um rock para animar e se foi.. O quer era para ser um almoço rápido, se estendeu para o famigerado lanche da noite. No final das contas, foram mais dois casais de amigos, cada um com dois filhos e a casa estava cheia e barulhenta. Mariana ficou com pena da irmã e ficou para ajudar. Até aspirador passou quando todo mundo foi embora. Ao voltar para casa no final da noite do sábado, estava exausta. Sentou-se no sofá da sala, com uma taça de vinho na mão e respirou aliviada. Enfim, em casa. Olhou o celular (que havia ficado na bolsa o dia todo) e tinha uma mensagem de Cecília, topando o almoço. Por que Mariana sentiu um frio na barriga?

Eliana Leite

20/02/2020

Feminismo – Um Olhar

Estava ali, no meu canto, achando que sabia o que era a vida, enfiada no meu trabalho e na minha rotina, não muito consciente de que afundava em uma suposta zona de conforto, ou de que andava em areia movediça, em meados de 2016, quando, em meio a um processo de mentoring (em que eu era a mentoranda), a mentora recomendou a leitura do livro “The Confidence Code”, de Katty Kay e Claire Shipman. A partir desta leitura, muitas fichas começaram a cair. O cerne da obra é sobre a (falta de) autoconfiança nas mulheres. Obviamente, isso tudo toca em temas como machismo, patriarcado, história, submissão, empoderamento, etc. Foi um divisor de águas para mim, pois a partir dali, despertei para um novo olhar. O meu olhar de mulher sobre a mulher, sobre mim, sobre as mulheres que admiro, sobre o fato de que, no fundo, sempre soube que havia algo que eu precisava desvendar, decifrar, para me entender e entender o mundo ao meu redor. Foi assim que saí da superficialidade e deixei de me calar. Percebi que já tinha alguns conceitos dentro de mim, muito pela educação que recebi e porque fui introduzida à leitura de autoras femininas (e, hoje sei, feministas) muito cedo. O que me acordou foi o fato de que o que eu sabia era a ponta do iceberg. E fui adiante. E continuo seguindo. Não há um ponto de parada. Ao contrário, há sempre um novo ponto de partida. E hoje eu vim dividir um pouco disso sob o olhar meu, com base em minhas experiências e leituras.

Conceito

Feminismo é um movimento social que busca a igualdade de status social, jurídico, político e econômico entre os gêneros.

Patriarcado

Sexo + classe + raça = ligados entre si para determinar a questão do patriarcado como dominação do homem branco heterossexual,

Homens devem primeiramente discutir a masculinidade tóxica e os efeitos nocivos do Patriarcado para então olhar para a igualdade de direitos entre gêneros e poder apoiar o feminismo. Um legislador, um professor, um escritor podem apoiar através de ações inclusivas e questionadoras. O que não dá é para ter um “macho palestrinha” pautando a luta e o movimento feminista como algo seu.

Movimento Feminista no Brasil

Trës ondas, sendo a primeira no final do século XIX e início do século XX, a segunda entre 1960 e a terceira a partir de 1990.

A primeira se caracterizou por lutar pelo direito ao voto e direitos trabalhistas. A segunda por lutar por liberdade sexual, papel social da maternidade e igualdade de direitos. E, por fim, a terceira busca a liberdade total. Dentro deste movimento da terceira onda, há o feminismo interseccional, que agrega os diferentes direitos das mulheres (brancas, negras, indígenas…)

Os Direitos da Mulher no Brasil

Código Civil de 1916 – mulher era considerada incapaz.

1932 – 1934 – Direito ao voto

1962 – Estatuto da Mulher Casada

1977 – Lei do Divórcio

1988 – Constituição Federal estabelece a igualdade entre todos

2006 – Lei Maria da Penha

2015 – Lei que estabelece o Feminicídiocomo crime hediondo.

Provocação – adotar o sobrenome do marido é uma herança de nossa cultura patriarcal, um ato romântico ou uma liberdade? A partir de que perspectiva? Da mulher instruída ou da mulher submissa? Há pesquisas que indicam que quanto maior o grau de instrução da mulher, menos importância tem para ela adotar o sobrenome do marido (fica com seu nome). Para se pensar – e não julgar, afinal é uma realidade muito forte no Brasil ainda.

Violência contra a mulher e Feminícídio

Políticas públicas

Saúde Mental

Assistência e Proteção

O ciclo vicioso da relação de dominação

O silêncio que mata

A cultura machista faz com que a mulher se sinta responsável e culpada

O papel da família

A educação de crianças

Feminicídio é o termo usado para denominar assassinatos de mulheres cometidos em razão do gênero. Ou seja, quando a vítima é morta por ser mulher. No Brasil, a Lei do Feminicídio, de 2015, estabelece que, quando o homicídio é cometido contra uma mulher, a pena é maior. É um crime de ódio.

Comportamentos machistas

Mansplaining

Manterrupting

Gaslighting: Bárbara Zorrilla é psicóloga especializada em atendimento a mulheres vítimas de violência de gênero. “O abuso gaslighting é uma forma de violência muito perversa, porque é contínua e se consegue mediante o exercício de um assédio constante, mas sutil e indireto, repetitivo, que vai gerando dúvidas e confusão na mulher que o sofre, a ponto de chegar a se sentir culpada das condutas de violência do abusador e duvidar de tudo que acontece à sua volta.”

Falar que está de TPM! (reduz a mulher a hormônios)

Perguntar sobre maternidade como forma de julgamento e exclusão

Parem de dar chocolate no dia da Mulher… mudem a atitude, apoiem, estudem, entendam

Chamar de Feminazi

Fazer piadas machistas

Falar que é coisa de mulherzinha

Não dividir as tarefas domésticas

Exemplos de práticas machistas no mundo corporativo

Salários desiguais

Não ter mulheres na alta liderança

Encorajar piadas machistas

Colocar mulheres em situações constrangedoras

Não ter uma cultura de inclusão e diversidade

Sororidade

Não somos todas iguais e não conseguimos entender a realidade de todas e por este motivo temos que escutar e apoiar. Um dos grandes erros é afirmar que o movimento feminista é único e une todas as mulheres, indiscriminadamente. As lutas podem ter muito em comum, um ponto de intersecção sem dúvida, mas existem diferentes reinvindicações de mulheres negras em comparação a mulheres brancas, assim como mulheres indígenas, nordestinas, asiáticas, LGBT, e assim por diante. O mais importante, a meu ver, é sermos interseccionais e aprendermos umas com as outras, sempre dando espaço para o diálogo e dando lugar para todas. Um exemplo disso é uma mulher branca ceder seu espaço em sua página na mídia social, por exemplo, para que uma mulher negra ou indígena fale sobre sua realidade. Isso é um exemplo real de sororidade.

Mitos/Preconceitos

– Feministas odeiam homens

– Feminismo é o contrário de machismo

– Todas as feministas são iguais

– Feministas são radicais

– Feministas não podem se casar

– Feministas são raivosas

– A mulher tem que ser masculina para chegar ao poder

Livros:

“A Mãe de todas as perguntas”(The Mother of All Questions), Rebecca Solnit

“Os Homens Explicam tudo para mim” (Men Explain Things to Me), Rebecca Solnit

Quer começar?

Ruth Manus – “Mulheres não são chatas, mulheres estão exaustas”

Chimamanda Ngozi Adiche – “Sejamos Todos Feministas”

“Life Lessons from Remarkable Women” (Coletânea da Revista Stylis)

Poemas – Empoderamento

“Outros Jeitos de Usar a Boca” – Rupi Kaur

“A Princesa Salva a Si Mesma Neste Livro” – Amanda Lovelace

“A Bruxa Não Vai para a Fogueira Neste Livro”- Amanda Lovelace

“The Mermaid’s Voice Return in This One” – Amanda Lovelace

Algumas obras consideradas obrigatórias sobre o feminismo (ainda não as li)

“O Segundo Sexo”, de Simone de Beauvoir – considerado como a Bíblia Feminista

“Mulheres e poder: um manifesto”, de Mary Beard

“As boas mulheres da China”, de Xinran

“Um teto todo seu (1929)”, de Virginia Woolf

“Sister outsider (1984)”, de Audre Lorde

“O feminismo é para todo mundo (2000)”, de bell hooks

“Persépolis (2004)”, de Marjane Satrapi

“Reivindicação dos direitos da mulher”, de Mary Wollstonecraft

Autoras Feministas (seja pelo que escreveram ou pelo modo de vida ou porque assim se posicionam)

Jane Austen

Simone de Beauvoir

Virginia Woolf

Mary Wollstonecraft

Margaret Atwood

Bell Hooks

Rebecca Solnit

Audre Lorde

Sueli Carneiro

Irmãs Brontë

Gioconda Belli

Angela Carter

Isabell Allende

Sylvia Plath

Clarice Lispector

Lygia Fagundes Telles

Laura Esquivel

Chimamanda Ngozi Adiche

Djamila Ribeiro

Maya Angelou

Angela Davis

Nélida Piñon

Isak Dinesen

Conceição Evaristo

Mary Beard

Xinran

Angélica Freitas

Marilena Chauí

Arundhati Roy

Marjane Satrapi

Ana Maria Gonçalves

Carolina Maria de Jesus

Svetlana Aleksiévitch

Toni Morrison

Cecilia Meirelles

Hilda Hist

Heleieth Saffioti

Joan Scott

NÍSIA FLORESTA (1810-1885) Considerada a primeira feminista brasileira, publicou em 1832 o manifesto “Direitos das mulheres e injustiças dos homens”. Também educadora e presença constante em periódicos da imprensa até então jovem, Nísia Floresta rompeu os limites entre o público e o privado que eram impostos às mulheres. Ela viajou pelo mundo, criando contatos e diálogos com Augusto Comte, pai do positivismo, e Alexandre Dumas, importante escritor francês.

Se cada homem, em particular, fosse obrigado a declarar o que sente a respeito de nosso sexo, encontraríamos todos de acordo em dizer que nós nascemos para seu uso, que não somos próprias senão para procriar e nutrir nossos filhos na infância, reger uma casa, servir, obedecer e aprazer aos nossos amos, isto é, a eles homens. (…) Por que [os homens] se interessam em nos separar das ciências a que temos tanto direito como eles, senão pelo temor de que partilhemos com eles, ou mesmo os excedamos na administração dos cargos públicos, que quase sempre tão vergonhosamente desempenham?

NARCISA AMÁLIA (1852-1924) Além de poeta, Narcisa Amália foi a primeira jornalista profissional do Brasil. Feminista e abolicionista, lutava contra as opressões de gênero e de raça nos seus textos. Foi, de acordo com Sílvia Paixão, “um dos raros nomes femininos que falam de identidade nacional”, contribuindo imensamente para a formação da nossa literatura “numa poética uterina que imprime o retorno ao lugar de origem”.

PAGU (PATRÍCIA GALVÃO) (1910-1962) Sempre relacionada a Oswald de Andrade e condenada ao título de musa, Pagu foi muito mais do que companheira do escritor. Poeta, escritora, tradutora, desenhista, diretora de teatro, jornalista e militante, Patrícia Galvão lutou pela participação política da mulher na sociedade brasileira e foi figura essencial no movimento modernista. Publicou seu primeiro romance, Parque Industrial, em 1933. Primeira mulher a se tornar presa política no país, foi torturada durante muitos períodos em sua vida.

Resenha – Livro “Ariel”, de Sylvia Plath

Comprei este livro (talvez tardiamente) em 2019, na Livraria da Travessa, em São Paulo, no bairro de Pinheiros. Senti-me atraída pela capa, além de fazer um tempo que queria ler algo de Sylvia. Por que existem autores que ensaiamos ler e não o fazemos? Será que é porque não estamos prontos para eles e, então, o tempo vem e nos informa “agora, é a hora”? Acho que foi assim que me senti ao ver este livro, sua capa, e então o abri, vi que era uma edição restaurada e bilingue, com os manuscritos originais. Livro comprado, ficou um tempo na estante, esperando. E assim foi que, em meio à quarentena do novo Corona vírus, decidi que o enfrentaria. Fiz algo que há muitos anos não fazia – peguei uma lapiseira e comecei a grifar o livro, fazer anotações nas margens, nas partes em branco… Usei a parte em português apenas para tirar dúvidas pontuais que pudessem prejudicar meu entendimento. Ler os poemas em inglês foi algo saboroso. Pois bem, vamos à resenha.

Tudo começa com a Apresentação – O Caso Ariel. Nada como ter o histórico do livro, quando ela escreveu, porque, o que isso significou. E acho que é preciso separar o trágico final de Sylvia de sua obra, ainda que ela mencione a morte em alguns poemas. Por isso, esta apresentação vem bem a calhar, e mostra que Ted Hughes, e não o julgo por isso, tentou omitir os poemas mais explícitos, digamos assim. Porém, depois de alguns anos, foi publicada esta edição que eu li, que respeitou os desejos de Sylvia, com a publicação de todos os poemas que formavam a coleção Ariel.

Vamos, então, ao prefácio, escrito pela filha de Sylvia, a também poeta Frieda Hughes. E, como toda filha, ela busca entender os pais. Critica a forma cruel como o pai foi tratado após a morte de Sylvia e publicação, por ele mesmo, de Ariel, como se estivesse vilipendiando o túmulo da esposa. Além de ter cometido adultério, teria interferido de forma indevida nos direitos autorais da autora. Ela diz que tais coisas “não guardam nenhuma semelhança com o homem que calma e carinhosamente” a criou, e com a ajuda de sua madrasta. E, completa que “o tempo todo ele manteve viva a memória da mãe que me deixara, e eu sentia como se ela estivesse tomando conta de mim, uma presença constante em minha vida.” Ela segue, relatando como era viver em torno de uma imagem “milagrosa” de tudo o que se referia à mãe. E então, finalmente, nos diz que “isso foi muitos anos antes de eu descobrir que minha mãe tinha um temperamento feroz e um caráter ciumento, em contraste com a natureza mais equilibrada e otimista de meu pai.” Cita, ainda, que houve ocasiões em que Sylvia destruiu o trabalho do marido, uma vez rasgando-o e outra queimando-o. Chega, então, à conclusão de que a mãe, “assim como era uma poeta excepcional, era também um ser humano”. Ela vê tudo isso como um restabelecimento da verdade, e uma forma de melhor compreender a mãe. Ela precisava entender tudo isso para poder entender a si mesma (entendemos a nós mesmos por meio de nossos pais, avós, antepassados, ancestrais). Frieda encerra o prefácio: com chave de ouro “Quando ela morreu, deixando Ariel como último livro, foi flagrada no ato de vingança, com uma voz que havia sido afiada e praticada durante anos, posteriormente com a ajuda de meu pai. Embora tenha se tornado uma vítima disso, no final das contas ele não negou sua maestria. Essa nova edição, restaurada, é minha mãe naquele momento. É a base do Ariel editado por meu pai. Cada versão tem significado próprio, embora as duas histórias sejam uma só.”

Devo admitir que a leitura dos poemas de Sylvia Plath não é fácil, pois ela tem um estilo bem hermético e intimista de escrita. Faz referências a coisas que viveu em seu dia a dia, mistura com momentos históricos, memórias e traumas. Na verdade, em minha opinião, os grandes poetas são aqueles que fazem com que você leia o poema e fique flutuando, tentando depois buscar um chão para pousar. Não necessariamente há o objetivo de “entender”, “decifrar”, “interpretar”. A própria Sylvia, quando lhe pediram para “explicar” os poemas em um programa de rádio, foi breve e seca. Não cabem explicações. Não cabe dissecar cada poema, em busca do momento em que ela se referia a tirar sua própria vida, ou se referia à traição do marido. Há muito mais do que isso. Há nuances, há explosões, há véus, há amor, há ódio e contemplação. Nem consigo resumir tudo isso em algumas palavras. Por isso, resolvi colocar aqui algumas impressões minhas, particulares, não “validadas”, “breve e secas”, sobre alguns poemas (vários eu li mais de uma vez).

“Morning Song” – um poema de uma mãe para um filho/filha. Há tantas menções a uma sensação de pertencimento e ao mesmo tempo desprendimento. Não tenho filhos, não sei como é, mas pude sentir o amor no poema. “The clear vowels rise like balloons”.

“Thalidomide” – senti amor desfeito, desilusão, decepção. “A space for thing I am given. A love of two wet eyes and a screetch. White spit of indifference?”

“The Applicant”- retrataria duas pessoas jovens se conhecendo, se relacionando, a ideia de casamento, da prisão à vida social, convenções, uma “boneca viva” (“will you marry it?”)

“Barren Woman” – pessoalmente, apesar de ser o mais curto, é o que mais se parece com um soco no estômago. Silêncio e vazio. Conversou comigo dentro de minha alma.

“Lady Lazarus” – consigo imaginar porque esse poema, como mencionou Frieda, foi praticamente dissecado até as entranhas. Carregado de uma série de figurações “diabólicas”, flerta com a morte e a ressurreição de uma mulher demoníaca, poderosa. Para mim, é um grito de liberdade, de feminilidade, de empoderamento sobre si mesma: “Herr God, Herr Lucifer / Beware / Beware. Out of the ash / I rise with my red hair / And I eat men like air.”

“Tulips” – me pareceu uma narrativa de uma experiencia no hospital. Posteriormente, verifiquei que ela escreveu quando teve apendicite.

“Elm” – a impressão que ficou para mim foi de que algo a assombrava (o tal Olmo). Por fim, fiquei com a seguinte pergunta ao final: o que a assombrava? Ela mesma?

“The night dances” – minhas impressões: luzes do cometa, dos planetas, luz sobre ela (pequena)… afinal, qual nosso tamanho?

“The Detective” – inegável que houve a descoberta de traição. E a traição que leva à morte da família, uma morte invisível.

“Ariel” – um lindo poema. Detalhes, pequenas coisas, choro de criança, orvalho, pescoço de cavalo. Eu não saberia quer era dedicado ao cavalo dela, se não tivesse lido isso na introdução e no prefácio.

“Death & Co.” – fiquei com as seguintes perguntas: quem é ele? O condor? É o marido? É um amor? É a morte à espreita? Alguém que fica ferido de morte? E assim fiquei… não busco respostas.

“Lesbos” – uma deliciosa viagem… Lesbos era a ilha em que a poetisa Safo nasceu… e fiquemos com isso…

“The Other” – adultério, adultério, adultério…

“Medusa” – fiquei intrigada… e então descobri que era sobre ninguém mais do que a mãe de Sylvia. O que me deixou olhando para a parede, sem saber o que pensar foi o final: ‘’there is nothing between us.”

“Purdah”- retrato de opressão, também mostra a esperança, para mim, quando ela diz “I shall unloose / From the small jeweled / Doll he guards like a heart / The lioness / The shriek in the bath, / The cloak of holes.”

“A Birthday Present” – só consegui escrever “WOW” ao final. Vivi para poder ler algo assim.

“Daddy” -ela fala do nazismo, de ser judia, das injustiças… busca se libertar, chamando-o (ironicamente?) de “Daddy”, dizendo, ao final “Daddy, daddy, you bastard, I’m through”.

“The Bee Meeting” e os demais poemas, todos sobre as abelhas são uma verdadeira declaração de amor a esses seres, já que ela criou abelhas. Lindos poemas, para ler de forma contínua, até chegar em “Wintering”.

Ao final, há as notas que ajudam a contextualizar alguns dos poemas. Fiz algumas checagens sobre o que eu tinha apreendido, mas sem muito compromisso, pura curiosidade. Meu único compromisso era com Sylvia: ler Ariel do começo ao fim.

Thank you, Sylvia.

E obrigada, Elis Regina, por ter sido a trilha sonora enquanto eu escrevia esta resenha.

Eliana Leite

08/06/2020