Resenha: O Efeito Sombra

O Efeito Sombra

O Efeito Sombra by Deepak Chopra

My rating: 3 of 5 stars


A parte de que mais gostei, talvez por ser, para mim, mais fluida, foi a escrita por Debbie Ford. Fiquei um pouco perdida nos pensamentos de Deepak Chopra e a parte escrita por Marianne Williamson, apesar de curta, é cansativa e repetitiva (tem uma ou outra coisa reveladora). O livro traz uma interessante reflexão sobre os aspectos sombrios do ser humano, sob diferentes óticas. Acredito que Marianne é um tanto quanto impositiva e isso me afastou um pouco do que eu estava efetivamente buscando na leitura. Debbie Ford tem um tom mais dissertativo, fazendo diversas reflexões mais tangíveis, por assim dizer. Acho que é uma leitura que vale a pena, principalmente por ser um tema sobre o qual raramente leio ou paro para pensar. Foi bom para variar e conhecer outros autores e outra seara.



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Crisálida

Qual o sentido do amor?

Para que serve?

Qual seu significado?

Começa no olhar?

Ou na esperança

De que aquele olhar o seja?

Olhos tristes, corpo frágil,

Amor sustentado pela areia

Fadado ao brusco rompimento

Como se rompem as amarras de seda

Que prendem uma criança

Amor puro, verdadeiro

Não existe?

Como não existir, se é verdadeiro

E, se cada um tem uma verdade,

Como saber se meu verdadeiro amor

É o seu?

E não dela? Deles, de todos!

Nunca de um só!

Traição, ciúmes, loucura

Isso seria amor ou destruição?

Autoflagelo

Passam-se os anos

Autopreservação

Medo de ser tocado, reaberto,

Tal qual o baú afundado ao mar,

Deixado para apodrecer,

Mas não apodrece

Morrem seus donos, e ele fica

Amor e luz?

Ofusca, cega, queima

Não ilumina o caminho

Ou quem faz isso é a paixão

Contrapartida do amor?

Antônimo do amor, o ódio

Terrível algoz, dama de negro

Se é tão forte e poderoso

Também assim tem de ser o amor

Amo-te à minha maneira

Não te amo mais

Aprenderei a te amar

Amar-te-ei para sempre

Não sei se te amo

Nunca amei ninguém

Amo-te como és

Amar-te-ia se fosses melhor para mim

Já te amei um dia, hoje nem a mim

Para amar a outrem, devo começar por mim

Recuso-me a causar tão mal

A mim, à minha pobre e doce alma

Proíbo-te de dizer que me ama

Como quem saúda o dia

Afasto de ti meus lábios

Se estás sedento apenas pela aparência do amor

O lençol de cetim, a fantasia aveludada

O grito de amor, que logo se quebra e vira soluço de solidão

Amo-te assim, calado

Amo-te como se ama um filme mudo

Imagino belas palavras

Saírem de sua boca

Fazem-me bem, como mel

Ao experimentá-las, me ferem

Como ferrão, ardor, repulsa

Defendo-me do amor

Terei saboreado?

Ou foi algo muito parecido

Me tirou do chão

Para logo me arremessar

Duro, frio, real, cruel

Vemos o amor como belo

Beleza efêmera que se transforma

Em borboleta, magnífica

O primeiro vento a arrebata

Cai morta, esquecida,

Metamorfose

Então, não é amor

Amo-te porque é o que sei fazer de melhor

Me amas?

Quando pergunto, foges e deixas a porta entreaberta

Espaço suficiente para permanecer teu cheiro,

Teus sinais

Abandona-me, falso amor

Que de ti preciso

Do que preciso?

Fazer amor…

Mas ele já está feito!

Vem a nós, nos atinge o rosto, feito ventania

Cultivar o amor…

Com o que?

Passado, lembranças?

Tecer com fios rotos

Procuro um novo amor

Pensas que o amor está por aí, se renovando?

O amor é um só, antigo,

Imutável, resiste aos séculos, às guerras, às injustiças

Até ao preconceito

Amo um que não vejo

Um poeta, um filósofo

Um coração que bate e chama por meu nome

Mesmo que o humano jamais saiba, por ser grão, o que é amor

Diga-me que me ama

Para a noite ser menos fria…

Eliana Leite

10/07/2004

Vida Passageira

Os dias passam, crescem as flores

Do jardim onde brincávamos.

Velhos ideais são abandonados

E o espaço permanece vago

Durante um tempo

Ao qual chamamos juventude.

Os prédios alcançam o céu

Onde brilha o sol

Que antes nos iluminava o sorriso.

As lembranças vão e voltam com o vento

E varrem remorsos ou rancores,

Transformando lágrimas de dor

Em saudades ou indiferença.

A voz da criança chorando

É substituída pelo silêncio

Trazido pelo tempo gasto

Na procura por um sonho

Que, mesmo não se realizando,

Fará parte de nossa vida.

Vamos sentir falta do que nunca tivemos

Ou dos que não conhecemos

E então desistiremos

Do que já é nosso,

Mas não precisamos.

Eliana Leite

1993

Nuances

Palavras

São importantes?

Ou é o toque, ou é o olhar?

Seria o beijo, o calor dos corpos…

Nada disso?

Seria, então, o amanhecer tranquilo,

O abraço inaugural

Sob o segredo de cada um

Abrir os braços, sorrir, dançar

Confiar…

Esperar, sim, sempre…

A hora certa chegará

Chega para todos, por que não para mim?

Você pode olhar em meus olhos sem medo

Pode sugar meu gemido

Pode percorrer minhas costas com mãos trêmulas

Pode apertar meus braços

Pode me pedir o que for

Pode beijar, beijar, beijar

E, no final, pode querer me entender

Querer me querer

Dizer o que está na sua mente

Mas ainda não…

Posso dizer que sou sua, sem ser?

Posso beijar seus lábios, sem ver?

Posso saborear seu suco, sem beber?

Posso me render, me desmanchar

Sem deixar um pouco em você?

Garantias… não existem…

Não há a ânsia infantil

Mas o seu cheiro ficou em mim

A lembrança do seu olhar

Enquanto eu visitava os astros

Houve fogos de artificio, eu ouvi

Houve uma música incansável

Houve magia?

Desejo? Entrega? Prazer?

Sem palavras…

Elas me abandonaram

De minha boca nada saiu

A não ser um bom dia tímido

Agora elas voltam e me perturbam

Ladrão do verbo…

Dono do silêncio…

Que não tenha sido o fim

E sim o início de tudo

Que você rompa a barreira

Que eu me permita acreditar

Que posso ser verdadeiramente

Amada, por tudo que sou

Não pelas palavras

Não pelo incêndio

Não pela porta dos fundos

E que, se não for por você

Que doa menos do que sempre

Que eu me preserve

Ou que você me diga logo

Mas nem tão logo

Falta muito, não?

Percorreremos o caminho?

A palavra “sim” ou “não”

É importante?

Ou o que conta é pegar na mão e simplesmente

Levar junto…

Eliana Leite

Junho de 2004

Ainda vou preparar um Boeuf Bourguignon…

Eu acho que já decorei os diálogos, as sequências e até os pratos do filme “Julie & Julia”… O filme é de 2009 (nossa, já se passaram 10 anos!), e sempre me parece tão atual, tão fresco!

Adoro a atuação tanto de Amy Adams quanto de Meryl Streep, cada uma refletindo o comportamento de uma mulher em um tempo diferente, com costumes e perspectivas completamente apartadas, muito porque na época de Julia Child o tempo parecia se arrastar e nos tempos de Julie, ele é o maior inimigo.

E assim… nos vemos, não é mesmo? Correndo contra o tempo, voando, nos atropelando… Nem sabemos mais o que é datilografar um texto (quanto menos com papel carbono!)… Mal escrevemos à caneta hoje em dia… Nossos depoimentos duram 24 horas no “stories” do Instragram e olhe lá… Imagina preparar um prato que demora 4 horas para ficar pronto… Cozinhar já é algo tão raro hoje em dia… Ifood, Rappi, Uber Eats… tudo para viagem, nós sempre em trânsito…

Isso é normal? Anormal? Não sei… Sei que é aflitivo… Estou tão envolvido nesse embróglio quanto tantos de minha geração. Confusa com a transição, pois sou da era do Walkman, Discman, Telefone fixo, papel de carta… Presenciei a internet discada, o Orkut, o celular “tijolo”… Entrei em pânico quando não encontrava mais CD´s… Tudo no tal do “streaming”… Cadê a Blockbuster? E agora estão ameaçando as livrarias… Meus templos estão desabando. Sinto-me como o Cazuza na música “Ideologia”…

Admiro os que não param no tempo, que acompanham a tecnologia. O cérebro se alimenta da novidade. O que não pode acontecer é sermos preguiçosos, deixarmos de estudar, ler, escrever, pesquisar. E precisamos sim, estimular as “Julies” da vida a serem mais “Julias”, pois, somente desta forma, poderemos preservar o que há de mais valioso no ser humano… A criatividade.

Não assistiu ainda a este filme? Não perca! E deixe seus comentários por aqui…

Ensaio Sobre o Amor

Amor. Adjetivo? “Você é um amor de pessoa”. Verbo? “Eu amo minha família”. Substantivo? “O que você sabe sobre o amor?” Pronome? “Oi, Amor, posso falar com você?” Como pode uma palavra ser tantas coisas? E, ainda, representar um sem número de mundos para diferentes pessoas. Amor próprio. Amor fraterno. Amor materno. Amor carnal. Amor de mãe. Amor à vida.

E os significados? Inúmeros. Pode ser que eu esteja errada ao dizer que o amor é um verbo. Ou um substantivo. O amor deveria ser só adjetivo. Porque adjetivo é qualidade. Porém, quando analiso, não consigo concordar. O AMOR é maior que ele mesmo. Pessoas morrem por amor. Quando ele falta. Quando ele excede. Quando ele foge do controle. Quando ele escapa pelos dedos. Quando ele fica cego. Quando ele se disfarça de obsessão. De egoísmo. De possessão. De fraqueza. De vaidade. Há quem não acredite no amor. Há quem não conheça o amor. Há quem não queira o amor. Há quem busque o amor por toda a vida. Há quem mate o amor dentro de si. Há quem cale o amor. Há quem esconda o amor. Há quem não sinta o amor. Há quem não receba amor. Há quem reze por amor. Há quem fuja do amor.

Poetas falam do amor. Em todas as suas formas, em todas as suas deformidades. Amor é poesia. Mas não só. Amor também é prosa. É conto, novela, romance. Ensaio. Crônica. Teatro, cinema. Pode ser real, ou apenas fantasia. Pode estar em uma frase, um capítulo, uma seção inteira. Pode também não estar em lugar algum. Falar de ausência de amor também é falar de amor. Negar o amor é, paradoxalmente, assumir sua existência no mundo do ser. O não-ser é. Não amar é amar. É como a luz e a escuridão. Sol e Lua.

Como saber se é amor? Como saber se é amor o que você está sentindo? Não existe uma receita. Existem explicações nunca comprovadas. O coração acelera? Será? Lágrimas saltam aos olhos? Então, se não chorarmos, não é amor? A alma se aquece? Quem disse que ela é fria? Ouvem-se sininhos? E se nada ouvirmos, não é amor? Sentem-se borboletas no estômago? Pobres borboletas!

Naturalmente, uma mãe ama seu filho. E como explicar o abandono? E como explicar o desprezo? Dizem que colocar um filho para adoção é um ato de amor. Assim como o é adotar. Então, uma mãe adotiva ama seu filho. Como explicar? O amor é um ato? E como acaba o amor? “Não te amo mais”. Existe um recipiente de amor, com prazo de validade? O amor pode estar cercado de outros sentimentos que o complementam ou o enfeiam. O amor também é saudade. Quando o objeto do amor se vai, seja por vontade própria, ou não, seja por condições da vida ou seu fim, o amor permanece. Amor é também lembrança, nostalgia. Fotos e música. Cheiros. Gestos. Às vezes, quando achamos que estamos esquecendo de algo ou alguém, o amor, em forma de saudade, bate à porta e se senta para tomar um café.

E assim, tão intrínseco à vida, é o amor. Conosco, vem. De nós, se vai, se transforma. E encanta.

Eliana Leite (19/04/2018)

Soberania

Esse vermelho, igual ao seu olhar, fulmina.

Queria ser capaz de apaga-lo e tocar na magia escondida.

Existe o paraíso acima das nuvens,

Além dessa vermelhidão?

Até quanto sei que o fogo arde

E que um amor é pecado?

Tantas palavras, parecem corretas,

Mas onde está a verdade?

Não consigo enxergar nada,

Cegada pela beleza.

Sempre desejei que suas mãos

Dessem o calor e deixassem que o medo fosse embora.

O escuro, a luz, seus segredos

Me transformaram em criança, vazia.

Estão todos ao seu redor,

Sem você não há vida.

Erga meu corpo,

Preencha o espaço.

Não queime as esperanças,

Única fonte de sobrevivência

Quando você se faz ausente.

Eliana Leite

18/03/1994

Marinheiro

Não basta sentir o balanço do mar…

Ouvir o som das ondas nas rochas…

Os olhos fechar…

Há que sentir o gosto do sal…

A areia tocar…

Há que ver a sereia a se pentear

O sol iluminar

O céu acolher o marinheiro a dançar

Há que saborear o rum, o vinho, a cerveja

Néctar após um dia a trabalhar

Há que saudar Ogum Beira Mar

Há que saudar Iemanjá

E se perder no mar.

Eliana Leite

10/08/2017

Eu e você somos feministas

Falar sobre o feminismo é sempre relevante. Tenho lido bastante sobre o tema, de diversas fontes, desde Ruth Manus a Rebecca Solnit… Outras mulheres já escreveram coisas grandiosas e marcantes e, ainda assim, quero dizer algo. Para me expressar, para complementar…

Sempre bom começar pela origem de tudo.. O que é, afinal, feminismo? Nada mais do que a busca pela igualdade de direitos entre homens e mulheres. Ele existe porque os direitos entre homens e mulheres são desiguais. Tal desigualdade traz consequências em todos os aspectos possíveis e imagináveis. O feminismo busca reduzi-las e (quem sabe, um dia) eliminá-las.

Certo. E o que vem sendo feito? Por exemplo: hoje, eu posso votar. Posso trabalhar. Posso fazer coisas aparentemente simples e básicas, comuns a um cidadão. Posso comprar um imóvel sozinha. Posso comprar um carro sozinha. Posso viajar sozinha. Posso abrir um negócio. Posso dirigir. Posso ir e vir a meu bel-prazer. Há não muito tempo, isso não era possível. Teria que pedir permissão para estas coisas. Permissão a um homem. Eu hoje posso escolher se vou mudar meu nome ao casar. Até 1970, as mulheres TINHAM que adotar o sobrenome do marido. E se engana quem pensa que estes direitos existem hoje para todas as mulheres no mundo. Há culturas que ainda oprimem a mulher de forma ostensiva .

Voltando ao ponto central… Mesmo podendo votar, dirigir, ir e vir, etc, ainda sofro com o machismo. Todos os dias. E não pense que fico me vitimizando, não! Este “sofrer” é reflexo do patriarcado. Podem ser coisas explícitas, como uma piada machista em um churrasco (sério, gente? Isso já cansou…) até as mini agressões no trabalho, no dia a dia. Que mulher não recebe essas mini agressões? Algumas retrucam, outras reviram os olhos, ou então calam e se retraem. Para que possamos rebater, sem medo, temos que nos unir. Não seja aquela mulher que taxa a outra de “louca” quando esta confronta o machismo. Quando iremos chegar naquele cara mala do churrasco e dizer “chega’? Toda vez que nos calamos, fortalecemos o patriarcado. Ele é tão opressor que se alimenta do nosso silêncio. Aproveita-se de nossa insegurança e falta de auto-confiança. Ganha força quando não temos sororidade, quando julgamos umas às outras. Para o patriarcado, não interessa que sejamos solidárias umas com as outras. Se você, mulher, ainda diz que “não é feminista”, volte ao começo deste texto e lembre-se: você vota, você dirige, você trabalha. E, ainda assim: existem poucas mulheres representando nossos interesses no Governo, os homens continuam achando que “mulher no volante é perigo constante” e as mulheres ganham menos do que os homens.

Paremos de repetir estereótipos. Deixemos de usar termos como “feminazi” ou dizer que “feminista é mal-amada”! Quando repetimos estes comportamentos nocivos, nada fazemos do que nos violentar. Precisamos respeitar nossas escolhas, pois temos que entender que SOMOS LIVRES PARA FAZER ESCOLHAS.

Se você é mãe, já sabe que tem uma missão muito importante na educação de seu filho ou filha. Você precisa quebrar esses paradigmas. Junto com o comportamento machista, caminham a homofobia, o racismo, a intolerância. E tudo começa em casa. Na educação. Ah, se necessário, eduque seu companheiro, seu pai, sua mãe. Lugar de menina e menino é onde eles quiserem. Cor, brinquedo, brincadeira, roupa. Nada disso tem gênero. Observe a si mesma antes de julgar os demais. Veja se você não olha para a moça ao seu lado e tem pensamentos machistas, preconceituosos. Cabelo, maquiagem, roupa, sapato, são apenas coisas. Elas não nos definem. É preciso que sejamos mais humanas e generosas conosco. Que olhemos para nós mesmas e nos abracemos com todas as inseguranças e imperfeições. Parafraseando Kelly Clarkson, ” we´re broken and it´s beautiful!”

Sororidade não é “modinha”, tampouco bobagem. É o que nos mantém em pé para lutar todos os dias. Pense nisso. Reflita sobre suas ações. Sorria para moça ao seu lado.

Obrigada. De nada.

Eliana Leite

25/05/2019